GREVE
Hoje há greve da Carris. Ainda bem. É que já estava a ser difícil dar a volta com o carro, ali na zona da Estrela, onde bandos de motoristas e fiscais, cinquentões, se reúnem a fumar e a dizer mal do governo, durante as horas do expediente.
Caeiro, também aqui, é o mestre. Este blogue é mantido por Possidónio Cachapa e todos os que acham por bem participar. A blogar desde 2003.
25 de setembro de 2003
PROPINAS ABORRECIDAS SUNT
Fui Bolseiro. Licenciei-me com dificuldades financeiras. Vindas não do meu gosto por noitadas e trapinhos de marca, mas do simples facto da minha família viver com rendimentos modestos, fruto de um trabalho duro e constante. Mas a coisa fez-se, entre o que os meus pais conseguiam tirar dos seus "luxos" e um minúsculo apoio do estado (12 contos, para ser mais exacto, não há assim tanto tempo...). Isto não é Dickens e considero-me sortudo por não ter tido que trabalhar na estiva ou na restauração durante esse tempo. Pude aprender e crescer por dentro durante mais alguns anos.
Hoje, escutava as declarações indignadas de um rapazito do Técnico que se queixava do aumento das propinas. Vão para cerca de 800 € anuais, para os não-bolseiros. Qualquer coisa como (calculando 10 meses) 80 € mensais. E "sem que tênhamos visto melhorias na escola desde o ano passado", declarava o rapaz. Pareceu-me vê-lo de "traje académico", aquela coisa clownesca de que os comerciantes se lembraram de vender. Não sei quanto é que custou; nem quanto é que custam as noitadas da "Semana do Caloiro", ou as idas semanais à discoteca... mas desconfio que será mais de 80 €.
Eu estou sempre na primeira fila dos que refilam, como é do conhecimento geral. Contudo, talvez fosse interessante pensar quanto é que custa por ano, cada aluno, aos bolsos de nós todos. Ou ver o grau de empenhamento e de reconhecimento perante o esforço não só da família, mas de todos nós contribuintes, para lhe pagar as passeatas até às aulas e os chumbos sucessivos. Ou saber se em vez de ir para a faculdade, de cu tremido no carro que o pai lhe deu e está a pagar a prestações, se não poderia comparar a porra de um passe, como todos nós e deslocar essas verbas para pagar as propinas, aligeirando o orçamento familiar...
Ou se em vez de querer ser o Rei dos Palhaços, embrulhado nos panejões pretos, não poderia ser o Rei dos Estudantes, estudando e investigando, nas bibliotecas que não lhe custam dinheiro, ou nos computadores da faculdade que custam a todos?...
Parece um discurso reaccionário? Talvez, se acreditarmos que o mundo é uma bola de algodão onde estamos deitados de rabinho para a lua, com as coisas doces da vida a cairem-nos suavemente em cima.
Caso contrário, tenham lá paciência e estudem mas é para os exames!
Fui Bolseiro. Licenciei-me com dificuldades financeiras. Vindas não do meu gosto por noitadas e trapinhos de marca, mas do simples facto da minha família viver com rendimentos modestos, fruto de um trabalho duro e constante. Mas a coisa fez-se, entre o que os meus pais conseguiam tirar dos seus "luxos" e um minúsculo apoio do estado (12 contos, para ser mais exacto, não há assim tanto tempo...). Isto não é Dickens e considero-me sortudo por não ter tido que trabalhar na estiva ou na restauração durante esse tempo. Pude aprender e crescer por dentro durante mais alguns anos.
Hoje, escutava as declarações indignadas de um rapazito do Técnico que se queixava do aumento das propinas. Vão para cerca de 800 € anuais, para os não-bolseiros. Qualquer coisa como (calculando 10 meses) 80 € mensais. E "sem que tênhamos visto melhorias na escola desde o ano passado", declarava o rapaz. Pareceu-me vê-lo de "traje académico", aquela coisa clownesca de que os comerciantes se lembraram de vender. Não sei quanto é que custou; nem quanto é que custam as noitadas da "Semana do Caloiro", ou as idas semanais à discoteca... mas desconfio que será mais de 80 €.
Eu estou sempre na primeira fila dos que refilam, como é do conhecimento geral. Contudo, talvez fosse interessante pensar quanto é que custa por ano, cada aluno, aos bolsos de nós todos. Ou ver o grau de empenhamento e de reconhecimento perante o esforço não só da família, mas de todos nós contribuintes, para lhe pagar as passeatas até às aulas e os chumbos sucessivos. Ou saber se em vez de ir para a faculdade, de cu tremido no carro que o pai lhe deu e está a pagar a prestações, se não poderia comparar a porra de um passe, como todos nós e deslocar essas verbas para pagar as propinas, aligeirando o orçamento familiar...
Ou se em vez de querer ser o Rei dos Palhaços, embrulhado nos panejões pretos, não poderia ser o Rei dos Estudantes, estudando e investigando, nas bibliotecas que não lhe custam dinheiro, ou nos computadores da faculdade que custam a todos?...
Parece um discurso reaccionário? Talvez, se acreditarmos que o mundo é uma bola de algodão onde estamos deitados de rabinho para a lua, com as coisas doces da vida a cairem-nos suavemente em cima.
Caso contrário, tenham lá paciência e estudem mas é para os exames!
24 de setembro de 2003
HORÁRIOS
Afinal, a coisa não anda assim tão má em termos de televisão. Ainda nem era bem meia-noite quando a RTP começou o filme "Amélie...". Calculo que para nos proteger das violentas cenas de sexo não o pôde transmitir em horário mais civilizado. E menos de duas horas depois inaugurava uma série interessante. Tempo para espreitar a TVI que arrancava com a "Causa Justa" (e daí em diante deverá continuar com as melhores séries...).Afinal, o país anda é todo a levantar-se muito cedo. Caso contrário, não se queixaria dos seus canais televisivos.
ps: vou agora abrir a televisão... A esta hora é capaz de ir dar algum filme do Godard...
Afinal, a coisa não anda assim tão má em termos de televisão. Ainda nem era bem meia-noite quando a RTP começou o filme "Amélie...". Calculo que para nos proteger das violentas cenas de sexo não o pôde transmitir em horário mais civilizado. E menos de duas horas depois inaugurava uma série interessante. Tempo para espreitar a TVI que arrancava com a "Causa Justa" (e daí em diante deverá continuar com as melhores séries...).Afinal, o país anda é todo a levantar-se muito cedo. Caso contrário, não se queixaria dos seus canais televisivos.
ps: vou agora abrir a televisão... A esta hora é capaz de ir dar algum filme do Godard...
23 de setembro de 2003
À DIREITA
O Pedro Mexia tem sobre a maioria dos portugueses assumidamente de direita várias vantagens, sendo que a maior de todas não é a de ser culto, mas sim a de ter a capacidade de se rir de si próprio e de não levar demasiado a sério as ideias que defende. Embora conservador ele sabe que a História tem a estúpida mania de dar o dito por não-dito.
Eu se fosse político e tivesse que defender o meu tachito à esquerda ficava preocupado... Olhem que pode haver mais... ;)
O Pedro Mexia tem sobre a maioria dos portugueses assumidamente de direita várias vantagens, sendo que a maior de todas não é a de ser culto, mas sim a de ter a capacidade de se rir de si próprio e de não levar demasiado a sério as ideias que defende. Embora conservador ele sabe que a História tem a estúpida mania de dar o dito por não-dito.
Eu se fosse político e tivesse que defender o meu tachito à esquerda ficava preocupado... Olhem que pode haver mais... ;)
NÓS ADERIMOS!
A propósito do post sobre o dia Sem Carros, recebemos de várias companhias de transportes público urbanos missivas de teor muito semelhante, que se reproduzem:
"Exmo. Sr., enquanto administrador desta companhia de transporte (entre vários outros tachos, ajaezados à andaluza e aos quais dedico a mesma atenção) sinto-me menosprezado pela não referência à nossa empresa, no seu pouco interessante poste (em português, sil-vousplé!). Sem perder muito tempo que o motorista já está impaciente (coitado do Jorge, ainda tem que me transportar no Mercedes até a duas outras empresas, antes de me ir levar ao condomínio a Cascais - e com 400 contos de ordenado, não se lhe pode exigir tanto), sempre lhe digo que nós JÁ ADERIMOS AOS DIAS SEM CARROS HÁ MUITO TEMPO. Bastaria um olhar atento para as paragens de autocarros e eléctricos, com filas estalineanas, para perceber que POR NÓS, eles não vão andar de carro tão cedo. Pelo menos, público. Certo de ter contribuído para o esclarecimento desta situação, despeço-me de V. Exa, Atentamente ..."
De facto, sob esse ponto de vista...
A propósito do post sobre o dia Sem Carros, recebemos de várias companhias de transportes público urbanos missivas de teor muito semelhante, que se reproduzem:
"Exmo. Sr., enquanto administrador desta companhia de transporte (entre vários outros tachos, ajaezados à andaluza e aos quais dedico a mesma atenção) sinto-me menosprezado pela não referência à nossa empresa, no seu pouco interessante poste (em português, sil-vousplé!). Sem perder muito tempo que o motorista já está impaciente (coitado do Jorge, ainda tem que me transportar no Mercedes até a duas outras empresas, antes de me ir levar ao condomínio a Cascais - e com 400 contos de ordenado, não se lhe pode exigir tanto), sempre lhe digo que nós JÁ ADERIMOS AOS DIAS SEM CARROS HÁ MUITO TEMPO. Bastaria um olhar atento para as paragens de autocarros e eléctricos, com filas estalineanas, para perceber que POR NÓS, eles não vão andar de carro tão cedo. Pelo menos, público. Certo de ter contribuído para o esclarecimento desta situação, despeço-me de V. Exa, Atentamente ..."
De facto, sob esse ponto de vista...
SEM CARROS
O Comentador Santana, lá fez marcha atrás no que ainda o ano passado intitulou de "palhaçada" e meteu Lisboa no Dia Europeu Sem Carros. Ao que parece fechou 2 (duas) ruas ao trânsito. Consta que nem se trata de má vontade, mas apenas de um medo enraizado de que a mania alastre. "Qualquer dia, ainda se lembram de fazer o Dia Sem-Discoteca... ou o Dia Sem Tia Na Cama... ", terá ele afirmado de lágrimas nos olhos. O Prazer_Inculto associa-se na dor, a esta mente brilhante...
O Comentador Santana, lá fez marcha atrás no que ainda o ano passado intitulou de "palhaçada" e meteu Lisboa no Dia Europeu Sem Carros. Ao que parece fechou 2 (duas) ruas ao trânsito. Consta que nem se trata de má vontade, mas apenas de um medo enraizado de que a mania alastre. "Qualquer dia, ainda se lembram de fazer o Dia Sem-Discoteca... ou o Dia Sem Tia Na Cama... ", terá ele afirmado de lágrimas nos olhos. O Prazer_Inculto associa-se na dor, a esta mente brilhante...
22 de setembro de 2003
VIDEORUN
Foi um fim-de-semana atribulado: 48 horas a captar imagens, a pensar na forma de as organizar e a montar. Numa iniciativa da nova escola RESTART16 equipas lançaram-se pela cidade de câmara digital na mão, tentando responder ao tema "Cidade em Movimento". Voltaram muitas horas depois, alguns sem ter dormido, outros com um breve descanso no corpo e atiraram-se ao AVID (sistema de edição de vídeo) por outras tantas horas.
No fim houve prémios e aplausos, mas não foi o mais importante. Importante foi, sim, ver aparecer 16 propostas interessantes e diferenciadas, feitas sem dinheiro nem tempo, por iniciativa de uma escola que acredita que é mais interessante fazer do que lamentar o que não acontece.... Foi pena não ter aparecido por lá ninguém ligado, politicamente, às decisões do sector. Houve ali uma lição com luva branca.
Foi um fim-de-semana atribulado: 48 horas a captar imagens, a pensar na forma de as organizar e a montar. Numa iniciativa da nova escola RESTART16 equipas lançaram-se pela cidade de câmara digital na mão, tentando responder ao tema "Cidade em Movimento". Voltaram muitas horas depois, alguns sem ter dormido, outros com um breve descanso no corpo e atiraram-se ao AVID (sistema de edição de vídeo) por outras tantas horas.
No fim houve prémios e aplausos, mas não foi o mais importante. Importante foi, sim, ver aparecer 16 propostas interessantes e diferenciadas, feitas sem dinheiro nem tempo, por iniciativa de uma escola que acredita que é mais interessante fazer do que lamentar o que não acontece.... Foi pena não ter aparecido por lá ninguém ligado, politicamente, às decisões do sector. Houve ali uma lição com luva branca.
19 de setembro de 2003
Goodbye Lenine
Estreia hoje, "Adeus, Lenine!" , de Wolfgang Becker, muito apregoado durante o Festival de Berlim deste ano.
O que eu não percebo é como é que os meus amigos do PCP não aproveitaram para o passar em antestreia na festa do Avante...?!
Eu teria gostado de o ver, ao ar livre, enquanto as bandeiras vermelhas faziam flap flap atrás de nós ;)
Estreia hoje, "Adeus, Lenine!" , de Wolfgang Becker, muito apregoado durante o Festival de Berlim deste ano.
O que eu não percebo é como é que os meus amigos do PCP não aproveitaram para o passar em antestreia na festa do Avante...?!
Eu teria gostado de o ver, ao ar livre, enquanto as bandeiras vermelhas faziam flap flap atrás de nós ;)
NUNCA FALES EM FUTEBOL...
Num jantar com uma delegação, no Minho, do F.C.P., Pinto da Costa referia-se ao próximo jogo com o Benfica, usando a expressão "Nós temos muitos inimigos...". Embora eu não seja a pessoa indicada para discutir o assunto... não se deveria dizer "adversários" ou "membros de outra equipa"? Peço desculpa, mas é que julgava que o desporto servia para desenvolver o corpo e aliviar o espírito. E, jogado a nível profissional, provocaria admiração pela mestria das performances...
Não tinha percebido que era uma Guerra.
Num jantar com uma delegação, no Minho, do F.C.P., Pinto da Costa referia-se ao próximo jogo com o Benfica, usando a expressão "Nós temos muitos inimigos...". Embora eu não seja a pessoa indicada para discutir o assunto... não se deveria dizer "adversários" ou "membros de outra equipa"? Peço desculpa, mas é que julgava que o desporto servia para desenvolver o corpo e aliviar o espírito. E, jogado a nível profissional, provocaria admiração pela mestria das performances...
Não tinha percebido que era uma Guerra.
18 de setembro de 2003
PAX IN DOMINICUS
Numa lojinha do Chiado, acabado de sair do buffet vegetariano e macro-biótico (muito bom, não sei o nome, primeira rua à esquerda de quem dá as costas ao Mac Don. dos Armazéns do Chiado...) encontrei uma loja de artigos religiosos. Já a tinha observado, fascinado. Mas, hoje descobri, na montra, uma malinha de primeiros-socorros espirituais. É um kit que tem cálice (dourado), hostiário, duas garrafinhas para os óleos e tudo o que um jovem e irreverente padre pode sonhar. Não sei quanto custa, mas ficou-me, cá dentro, um grito, alegre e valoroso: VAMOS EVANGELIZAR O IRAQUE! Já!
Desculpem o entusiasmo, mas há coisas que mexem com uma pessoa...
Numa lojinha do Chiado, acabado de sair do buffet vegetariano e macro-biótico (muito bom, não sei o nome, primeira rua à esquerda de quem dá as costas ao Mac Don. dos Armazéns do Chiado...) encontrei uma loja de artigos religiosos. Já a tinha observado, fascinado. Mas, hoje descobri, na montra, uma malinha de primeiros-socorros espirituais. É um kit que tem cálice (dourado), hostiário, duas garrafinhas para os óleos e tudo o que um jovem e irreverente padre pode sonhar. Não sei quanto custa, mas ficou-me, cá dentro, um grito, alegre e valoroso: VAMOS EVANGELIZAR O IRAQUE! Já!
Desculpem o entusiasmo, mas há coisas que mexem com uma pessoa...
AINDA A FAMA, EMBORA MAIS CASEIRA
Escreve-me um leitor bloguista perguntando que conselhos lhe dou para ter mais visitas. Ora, meu caro, como muitas pessoas chegam cá, de forma mais ou menos ao calhas, via motor de busca, sugiro que se limite a fazer uma lista de palavras-isco. Tipo: sex; mad girls; bondage in heaven; Marisa Cruz; Lust; baiser comme un lapin; se laisser faire et dire merci... Ou mais nacional (oops, que a "Marisa" fugiu lá para trás: volta, palavra malandra!) modelos de sonho; noites de loucura; escândalo nacional; revelação bombástica, porém, inteligente... etc, etc... Vai ver as page views a disparar. Em última análise escreva apenas "Abrupto", 50 vezes.
Digo eu ;-)
Escreve-me um leitor bloguista perguntando que conselhos lhe dou para ter mais visitas. Ora, meu caro, como muitas pessoas chegam cá, de forma mais ou menos ao calhas, via motor de busca, sugiro que se limite a fazer uma lista de palavras-isco. Tipo: sex; mad girls; bondage in heaven; Marisa Cruz; Lust; baiser comme un lapin; se laisser faire et dire merci... Ou mais nacional (oops, que a "Marisa" fugiu lá para trás: volta, palavra malandra!) modelos de sonho; noites de loucura; escândalo nacional; revelação bombástica, porém, inteligente... etc, etc... Vai ver as page views a disparar. Em última análise escreva apenas "Abrupto", 50 vezes.
Digo eu ;-)
E POR FALAR EM ORWELL...
Na France 2, repetia ontem, um programa com os concorrentes dos reality shows em França (que são rigorosamente os mesmos que em Portugal). A maioria vinha do "Loft", que é o título francês para o B.B.
Foi um programa curioso, porque todas as pessoas estavam mais ou menos unidas nos sentimentos. Todas afirmavam que tinham sido armadilhadas desde o anúncio, que utilizava as palavras "Star" e "Fama"... ou seja, aquilo que elas nas suas fraquezas mais aspiravam. E todos se sentiram atirados para a estratosfera, mastigados pela máquina e... cuspidos para o esquecimento, arrastando nessa queda as suas famílias. Afinal, também há Zé Marias ailleurs.
Na France 2, repetia ontem, um programa com os concorrentes dos reality shows em França (que são rigorosamente os mesmos que em Portugal). A maioria vinha do "Loft", que é o título francês para o B.B.
Foi um programa curioso, porque todas as pessoas estavam mais ou menos unidas nos sentimentos. Todas afirmavam que tinham sido armadilhadas desde o anúncio, que utilizava as palavras "Star" e "Fama"... ou seja, aquilo que elas nas suas fraquezas mais aspiravam. E todos se sentiram atirados para a estratosfera, mastigados pela máquina e... cuspidos para o esquecimento, arrastando nessa queda as suas famílias. Afinal, também há Zé Marias ailleurs.
17 de setembro de 2003
O VÍCIO...
Sei que tinha jurado não voltar a comprar a TvGuia... Mas é que hoje, quando cheguei ao quiosque, já não havia jornais do dia... E tinha de esperar pelo autocarro...e... Pronto... Ok! Ok!, vou dizer a verdade: foi o vício. Anos a comprar esta revista, a menos idiota entre as que se publicavam em Portugal sobre o tema, criaram-me esta habituação. É como o Expesso... quando a gente dá por isso está a dar cabo dos músculos dos braços, a virar o caderno Internacional...
E eu acho que está melhor... Por exemplo, esta semana só dedica as primeiras 26 páginas ao Big Brother... E mais quatro lá para a frente... E ainda por cima, têm bom coração: o director veio dizer que se a mãe de um dos concorrentes, a quem pregaram fama de... peripatética (ver dicionário), quiser ir para as páginas da revista alimentar a polémica, que faça favor. Ora se isto não é generosidade?!
And I rest my case com a sensibilidade demonstrada, na importante reportagem sobre a viagem de avião da Alzira, a concorrente terceirense, para S. Miguel (???!!!É Acores, Prontos, terá sido o raciocínio...). Passo a citar: ""Às 15.05 a Tv Guia tentou falar com ela, mas foi-nos totalmente impossível. Alzira, encolhendo os ombros parecia dizer-nos, com o olhar que preferia marcar a conversa para um outro momento... mais tranquilo". Ora, repare-se... Não foram precisas palavras... bastou um olhar, para a repórter compreender o que tinha a fazer... São coisas como esta que nos fazem abençoar os cursos de comunicação social das universidades portuguesas.
Sei que tinha jurado não voltar a comprar a TvGuia... Mas é que hoje, quando cheguei ao quiosque, já não havia jornais do dia... E tinha de esperar pelo autocarro...e... Pronto... Ok! Ok!, vou dizer a verdade: foi o vício. Anos a comprar esta revista, a menos idiota entre as que se publicavam em Portugal sobre o tema, criaram-me esta habituação. É como o Expesso... quando a gente dá por isso está a dar cabo dos músculos dos braços, a virar o caderno Internacional...
E eu acho que está melhor... Por exemplo, esta semana só dedica as primeiras 26 páginas ao Big Brother... E mais quatro lá para a frente... E ainda por cima, têm bom coração: o director veio dizer que se a mãe de um dos concorrentes, a quem pregaram fama de... peripatética (ver dicionário), quiser ir para as páginas da revista alimentar a polémica, que faça favor. Ora se isto não é generosidade?!
And I rest my case com a sensibilidade demonstrada, na importante reportagem sobre a viagem de avião da Alzira, a concorrente terceirense, para S. Miguel (???!!!É Acores, Prontos, terá sido o raciocínio...). Passo a citar: ""Às 15.05 a Tv Guia tentou falar com ela, mas foi-nos totalmente impossível. Alzira, encolhendo os ombros parecia dizer-nos, com o olhar que preferia marcar a conversa para um outro momento... mais tranquilo". Ora, repare-se... Não foram precisas palavras... bastou um olhar, para a repórter compreender o que tinha a fazer... São coisas como esta que nos fazem abençoar os cursos de comunicação social das universidades portuguesas.
O CLUBE DOS SETE
A nossa padralhada (termo carinhoso para designar as Eminências e as Subserviências que temos) veio anunciar que os portugueses, além da mania de abortarem só porque ficam grávidos e acham que não têm condições ou maturidade para criar um filho, têm ainda MAIS 7 pecados. Já não me lembro quais eram, mas basta consultar a imprensa que toda a gente deu cobertura à notícia.
Ao que parece, um dos membros da Comissão de Pecadores ainda terá sugerido que incluíssem o abuso sexual de menores, mas foi rapidamente calado pelos outros com a argumentação "Livra, irmão X, você também vê mal em tudo... Jejuss!".
A nossa padralhada (termo carinhoso para designar as Eminências e as Subserviências que temos) veio anunciar que os portugueses, além da mania de abortarem só porque ficam grávidos e acham que não têm condições ou maturidade para criar um filho, têm ainda MAIS 7 pecados. Já não me lembro quais eram, mas basta consultar a imprensa que toda a gente deu cobertura à notícia.
Ao que parece, um dos membros da Comissão de Pecadores ainda terá sugerido que incluíssem o abuso sexual de menores, mas foi rapidamente calado pelos outros com a argumentação "Livra, irmão X, você também vê mal em tudo... Jejuss!".
AQUELE QUE NÃO SE PODE DIZER...
Pais com filhos impacientes e leitores que não ligaram peva às aulas de inglês: O Sapo é vosso amigo...
Pais com filhos impacientes e leitores que não ligaram peva às aulas de inglês: O Sapo é vosso amigo...
ESCOLA DA PONTE
Ouvi a notícia de relance e não relacionei o nome com a escola. Daí a brincadeira do post um bocado mais abaixo. Não o retirando, peço que o leiam como um jogo de palavras, apenas, sem consequência em termos de opinião. Na verdade, hoje em dia, desde que as televisões se lembraram de dar a voz TODA a quem faz barulho (seja lá por que for) que passamos os dias a ver os protestos mais disparatados... ao lado das desculpas mais esfarrapadas dos responsáveis em casos realmente merecedores de atenção. Daí a minha confusão.
Ouvi falar desta escola há alguns anos, precisamente quando andava apaixonado pelo estudo das novas pedagogias de aprendizagem. Experiências educativas assentes na motivação e na responsabilização dos alunos, além da harmonização das inteligências múltiplas estavam a ser feitas por todo o mundo. Por cá, havia esta escola, onde impressionava ver meninos de 9 anos sem estarem histéricos aos gritos ou esmurrarem-se para enfiar o nariz na câmara...
Foi gratificante para mim saber que havia gente a tentar.
Não conheço em detalhe o processo que está a decorrer, mas não me surpreende que um ministério orientado por pessoas que pensam que o segredo está na punição e na obrigatoriedade de ficar preso à escola até completar o 12 º ano (ou morrer de artrite) não simpatize com a iniciativa. É o contrário de tudo o que os regimes autoritários nos legaram: é o direito à escolha e ao desenvolvimento crítico. E, meus amigos, qual é o partido habituado à governação que não tem medo de um país que pensa e avalia?
Ouvi a notícia de relance e não relacionei o nome com a escola. Daí a brincadeira do post um bocado mais abaixo. Não o retirando, peço que o leiam como um jogo de palavras, apenas, sem consequência em termos de opinião. Na verdade, hoje em dia, desde que as televisões se lembraram de dar a voz TODA a quem faz barulho (seja lá por que for) que passamos os dias a ver os protestos mais disparatados... ao lado das desculpas mais esfarrapadas dos responsáveis em casos realmente merecedores de atenção. Daí a minha confusão.
Ouvi falar desta escola há alguns anos, precisamente quando andava apaixonado pelo estudo das novas pedagogias de aprendizagem. Experiências educativas assentes na motivação e na responsabilização dos alunos, além da harmonização das inteligências múltiplas estavam a ser feitas por todo o mundo. Por cá, havia esta escola, onde impressionava ver meninos de 9 anos sem estarem histéricos aos gritos ou esmurrarem-se para enfiar o nariz na câmara...
Foi gratificante para mim saber que havia gente a tentar.
Não conheço em detalhe o processo que está a decorrer, mas não me surpreende que um ministério orientado por pessoas que pensam que o segredo está na punição e na obrigatoriedade de ficar preso à escola até completar o 12 º ano (ou morrer de artrite) não simpatize com a iniciativa. É o contrário de tudo o que os regimes autoritários nos legaram: é o direito à escolha e ao desenvolvimento crítico. E, meus amigos, qual é o partido habituado à governação que não tem medo de um país que pensa e avalia?
16 de setembro de 2003
INCÊNDIOS
Acho adorável a forma como a comunicação social se refere, de uma forma geral, aos bombeiros como "homens no terreno". Contudo, a atentar pelas imagens, muitos desses "homens" tiveram de ir mudar de vestido e amamentar os filhos depois de terem combatido, com garra, as chamas....
Não seria altura de modificar um bocadinho o genéro na redacção apressada das notícias?
Acho adorável a forma como a comunicação social se refere, de uma forma geral, aos bombeiros como "homens no terreno". Contudo, a atentar pelas imagens, muitos desses "homens" tiveram de ir mudar de vestido e amamentar os filhos depois de terem combatido, com garra, as chamas....
Não seria altura de modificar um bocadinho o genéro na redacção apressada das notícias?
LIDO NO PÚBLICO
"O autoproclamado Presidente interino da República da Guiné-Bissau, o general de quatro estrelas Veríssimo Correia Seabra, recebeu ontem um voto de confiança dos representantes das diferentes forças políticas e sociais do país, com vista à formação de um Conselho Nacional de Transição e de um Governo que venha a organizar eleições. "
Parece que enquanto metia o barrete encarnado na cabeça, o general terá perguntado "onde estão as barbas brancas e o trenó? Quero o pacote completo do Power Kit".
2. "Os pais dos alunos da Escola Básica Integrada de Vila das Aves, Santo Tirso, conhecida por Escola da Ponte, cumpriram a ameaça e ontem de manhã, ao toque de chamada, levaram os filhos às salas, mas não arredaram do local. Vão continuar a fazê-lo até o ministro da Educação, David Justino, autorizar o prosseguimento do projecto Fazer a Ponte".
Os miúdos ficaram um bocado chateados e ainda tentaram mandar os pais para casa, dizendo-lhes que jogar consola seria muito mais divertido do que fazer uma ponte... Mas os progenitores obstinados argumentaram que "Já tinham trazido os Legos e que dali não arredavam". Uma das mães poderá mesmo ter dito: "Vamos até às últimas consequências". Ninguém percebeu o que ela queria dizer com esta frase, mas uma aluna cochichou ao ouvido de outra que "era capaz de ser, fazer xixi nas calças". Aguarda-se que a TVI resolva mais este caso, no lugar do governo.
"O autoproclamado Presidente interino da República da Guiné-Bissau, o general de quatro estrelas Veríssimo Correia Seabra, recebeu ontem um voto de confiança dos representantes das diferentes forças políticas e sociais do país, com vista à formação de um Conselho Nacional de Transição e de um Governo que venha a organizar eleições. "
Parece que enquanto metia o barrete encarnado na cabeça, o general terá perguntado "onde estão as barbas brancas e o trenó? Quero o pacote completo do Power Kit".
2. "Os pais dos alunos da Escola Básica Integrada de Vila das Aves, Santo Tirso, conhecida por Escola da Ponte, cumpriram a ameaça e ontem de manhã, ao toque de chamada, levaram os filhos às salas, mas não arredaram do local. Vão continuar a fazê-lo até o ministro da Educação, David Justino, autorizar o prosseguimento do projecto Fazer a Ponte".
Os miúdos ficaram um bocado chateados e ainda tentaram mandar os pais para casa, dizendo-lhes que jogar consola seria muito mais divertido do que fazer uma ponte... Mas os progenitores obstinados argumentaram que "Já tinham trazido os Legos e que dali não arredavam". Uma das mães poderá mesmo ter dito: "Vamos até às últimas consequências". Ninguém percebeu o que ela queria dizer com esta frase, mas uma aluna cochichou ao ouvido de outra que "era capaz de ser, fazer xixi nas calças". Aguarda-se que a TVI resolva mais este caso, no lugar do governo.
BREAKING NEWS
Boas notícias, pessoal, parece que a Jennifer Lopez e o Ben Affleck resolveram separar-se. Iam casar-se para a semana mas reflectiram melhor e acharam que seria uma pena privar o resto dos membros da humanidade da possibilidade de os conhecerem mais de perto. Quanto ao amigo Ben, não tenho a certeza, mas aqui na Blogosfera não faltarão candidatos ao esforço de mostrar a Jennifer que nem só de tacos e marshmellows se faz a felicidade... Claro que com a concorrência do novo look da Ana Malhoa as coisas já não serão tão fáceis como dantes...
Boas notícias, pessoal, parece que a Jennifer Lopez e o Ben Affleck resolveram separar-se. Iam casar-se para a semana mas reflectiram melhor e acharam que seria uma pena privar o resto dos membros da humanidade da possibilidade de os conhecerem mais de perto. Quanto ao amigo Ben, não tenho a certeza, mas aqui na Blogosfera não faltarão candidatos ao esforço de mostrar a Jennifer que nem só de tacos e marshmellows se faz a felicidade... Claro que com a concorrência do novo look da Ana Malhoa as coisas já não serão tão fáceis como dantes...
15 de setembro de 2003
CAI NEVE NO DIÁRIO
J. César das Neves, eminente cronista que não merece normalmente comentário, escreveu no DN de hoje contra a matriz cultural europeia que "vai contra o Cristianismo". Segundo ele, o ppl tem andado ocupado nos últimos séculos a acabar com o temor a Deus. O que estaria mal.
Será muito básico responder que não é uma luta entre os deuses e os homens mas entre os grupos de pressão ligados (por acaso, poderiam ser outros - o que não falta são grupos em que a armadilha do dinheiro e da ambição pelo poder fazem maravilhas com a manipulação das massas...) à igreja católica e as pessoas que se recusam a fazer méééé...?
J. César das Neves, eminente cronista que não merece normalmente comentário, escreveu no DN de hoje contra a matriz cultural europeia que "vai contra o Cristianismo". Segundo ele, o ppl tem andado ocupado nos últimos séculos a acabar com o temor a Deus. O que estaria mal.
Será muito básico responder que não é uma luta entre os deuses e os homens mas entre os grupos de pressão ligados (por acaso, poderiam ser outros - o que não falta são grupos em que a armadilha do dinheiro e da ambição pelo poder fazem maravilhas com a manipulação das massas...) à igreja católica e as pessoas que se recusam a fazer méééé...?
TREPAR
Um conhecido meu, jovem apresentador, dizia-me há dias que ia tirar o "O curso do Rangel". Uma coisas de televisão. Perguntei-lhe se achava mesmo que ia aprender muita coisa, já que o investimento era razoavelmente elevado. Encolheu os ombros ao telefone: provavelmente, não, mas é a maneira mais rápida de ser escolhido para fazer coisas. "Sabes como é", acrescentou.
Sei.
Um conhecido meu, jovem apresentador, dizia-me há dias que ia tirar o "O curso do Rangel". Uma coisas de televisão. Perguntei-lhe se achava mesmo que ia aprender muita coisa, já que o investimento era razoavelmente elevado. Encolheu os ombros ao telefone: provavelmente, não, mas é a maneira mais rápida de ser escolhido para fazer coisas. "Sabes como é", acrescentou.
Sei.
SÃO ROSAS, SENHOR
E já aí está o livro infantil de Madonna.Dedicado aos rebentos Rocco e Lourdes Maria (lindos nomes), este livro resulta da tentativa da cantora de escrever um romance inspirado em "Guerra e Paz". Numa versão não confirmada, a platinada morena terá declarado que "Oh, pá... Quando eu disse que ia escrever um romance a sério, os editores riram-se um bocadinho mas prometeram ler o manuscrito. Foi pena terem deitado fora as restantes 1200 páginas. E as ilustrações não eram bem o que eu estava a pensar que um adulto gostaria... Mas, pázinho... Já fico satisfeita". A filha mais velha também foi um grande pilar de força nesta tentativa. A menina, de 6 anos, terá declarado que já lhe perdoara o roubo das redacções do colégio. E que em letra de forma ficavam muito melhor...
E já aí está o livro infantil de Madonna.Dedicado aos rebentos Rocco e Lourdes Maria (lindos nomes), este livro resulta da tentativa da cantora de escrever um romance inspirado em "Guerra e Paz". Numa versão não confirmada, a platinada morena terá declarado que "Oh, pá... Quando eu disse que ia escrever um romance a sério, os editores riram-se um bocadinho mas prometeram ler o manuscrito. Foi pena terem deitado fora as restantes 1200 páginas. E as ilustrações não eram bem o que eu estava a pensar que um adulto gostaria... Mas, pázinho... Já fico satisfeita". A filha mais velha também foi um grande pilar de força nesta tentativa. A menina, de 6 anos, terá declarado que já lhe perdoara o roubo das redacções do colégio. E que em letra de forma ficavam muito melhor...
ÍDOLOS
Levanto de vez em quando um olho do computador (de trabalho) para espreitar o programa. Algumas coisas saltam-me à vista, a saber: Portugal inteiro (com menos de 25 anos) acha-se uma estrela; não se enxergam no que toca às qualidades vocais - mesmo quando recusadas, prometem em voz de cana rachada e lágrimas que vão "provar a muitas pessoas que..." - e artísticas; há maneiras mais delicadas de dizer a uma rapariga ou a um rapaz de 16 anos que não tem boa voz, sem utilizar expressões grosseiras e insensíveis.
Poderia ainda constatar que os membros do júri são muito sensíveis à beleza das raparigas com idade para serem filhas deles, seleccionando algumas que... enfim. E que são racistas, usando expressões como "entrou um pedaço de chocolate" ou para um rapaz cujos pais são cabo-verdianos, mas ele é obviamente português "oferece-me uma caxupa"...
Nem a ambição juvenil e cega merece aquele tratamento...
Levanto de vez em quando um olho do computador (de trabalho) para espreitar o programa. Algumas coisas saltam-me à vista, a saber: Portugal inteiro (com menos de 25 anos) acha-se uma estrela; não se enxergam no que toca às qualidades vocais - mesmo quando recusadas, prometem em voz de cana rachada e lágrimas que vão "provar a muitas pessoas que..." - e artísticas; há maneiras mais delicadas de dizer a uma rapariga ou a um rapaz de 16 anos que não tem boa voz, sem utilizar expressões grosseiras e insensíveis.
Poderia ainda constatar que os membros do júri são muito sensíveis à beleza das raparigas com idade para serem filhas deles, seleccionando algumas que... enfim. E que são racistas, usando expressões como "entrou um pedaço de chocolate" ou para um rapaz cujos pais são cabo-verdianos, mas ele é obviamente português "oferece-me uma caxupa"...
Nem a ambição juvenil e cega merece aquele tratamento...
14 de setembro de 2003
13 de setembro de 2003
CONCLUINDO SOBRE A TEMÁTICA REFERIDA EM BAIXO
Uma preocupação maior está a causar a revelação de haver práticas pedófilas com deficientes de 30 anos. Parece que a idade mental também conta.
Um grupo de modelos já está a organizar-se para apresentar queixa contra empresários e jogadores de futebol que foram com elas para a cama.
Diana (nome fictício) terá declarado: "eu tenho esta idade física, mas o meu intelectual não passa de um de uma miúda de cinco anos...".
Ou eu me engano muito, ou a Felícia Cabrita já anda enfiada no Portugal Fashion (nome fictício)...
Uma preocupação maior está a causar a revelação de haver práticas pedófilas com deficientes de 30 anos. Parece que a idade mental também conta.
Um grupo de modelos já está a organizar-se para apresentar queixa contra empresários e jogadores de futebol que foram com elas para a cama.
Diana (nome fictício) terá declarado: "eu tenho esta idade física, mas o meu intelectual não passa de um de uma miúda de cinco anos...".
Ou eu me engano muito, ou a Felícia Cabrita já anda enfiada no Portugal Fashion (nome fictício)...
E POR FALAR NO LENÇOL IMPRESSO...
Já me perguntei se a Felícia Cabrita será da família da Alexandra Solnado. Não só por Jesus usar muito o termo "minha cabrita" quando fala com esta última, como ainda o facto de todos os sábados a mulher vir com revelações novas do caso Que Nós Sabemos.
Achei interessante esta ligação entre os toureiros e a pedofilia. Depois de décadas de "isto aqui é só pra macho" e "Do que eu mais gosto é da mulher e do selim", parece que afinal também gostam de espetar as farpas em carnes mais delicadas.
Numa tentativa humanista de os perceber avento a hipótese de o fazerem para "proteger os menores da extinção". Isto ligava com a sua idéia do Amor aos Touros e com as suas desculpas para a manutenção da prática taurina...
Já me perguntei se a Felícia Cabrita será da família da Alexandra Solnado. Não só por Jesus usar muito o termo "minha cabrita" quando fala com esta última, como ainda o facto de todos os sábados a mulher vir com revelações novas do caso Que Nós Sabemos.
Achei interessante esta ligação entre os toureiros e a pedofilia. Depois de décadas de "isto aqui é só pra macho" e "Do que eu mais gosto é da mulher e do selim", parece que afinal também gostam de espetar as farpas em carnes mais delicadas.
Numa tentativa humanista de os perceber avento a hipótese de o fazerem para "proteger os menores da extinção". Isto ligava com a sua idéia do Amor aos Touros e com as suas desculpas para a manutenção da prática taurina...
ALZHEIMER
As pessoas sem memória para caras não deveriam ter Conhecidos.
Hoje ia pela minha rua abaixo, a caminho do Expresso, do Público e de uma meia-de-leite (de máquina) quando fui abordado por uma pessoa simpática que se passeava com a filha. Trocámos uma série de "Entãocomovais?" e "játenslivronovo?", antes dos nos despedirmos calorosamente.
Se alguém me puder dizer quem ele era, agradecia. A única pista que tenho foi a frase "Continuo na Sic"...
As pessoas sem memória para caras não deveriam ter Conhecidos.
Hoje ia pela minha rua abaixo, a caminho do Expresso, do Público e de uma meia-de-leite (de máquina) quando fui abordado por uma pessoa simpática que se passeava com a filha. Trocámos uma série de "Entãocomovais?" e "játenslivronovo?", antes dos nos despedirmos calorosamente.
Se alguém me puder dizer quem ele era, agradecia. A única pista que tenho foi a frase "Continuo na Sic"...
12 de setembro de 2003
A RUÍNA
Fui à Fnac: fiz mal. Dei de caras com a obra completa do François Ozon em Dvd (menos o "8 mulheres"). Escusado será dizer que dei por mim a digitar os 4 números que o meu banco mais gosta... Enfim, a desgraça.
Ainda me falta ver o "Sitcom" que nunca estreou entre nós e que me parece divertidíssimo. Provavelmente, Terrivelmente (no sentido mais sanguinário do termo) Divertido.
Ontem, vi a versão que passou nas salas dos "Amantes Assassinos" (não sei se esta foi a tradução... Ou se chegou mesmo a passar em Portugal...). Os contos dos irmãos Grimm revisitados numa história actual.
É urgente que se mostre mais este cineasta aos portugueses.
Fui à Fnac: fiz mal. Dei de caras com a obra completa do François Ozon em Dvd (menos o "8 mulheres"). Escusado será dizer que dei por mim a digitar os 4 números que o meu banco mais gosta... Enfim, a desgraça.
Ainda me falta ver o "Sitcom" que nunca estreou entre nós e que me parece divertidíssimo. Provavelmente, Terrivelmente (no sentido mais sanguinário do termo) Divertido.
Ontem, vi a versão que passou nas salas dos "Amantes Assassinos" (não sei se esta foi a tradução... Ou se chegou mesmo a passar em Portugal...). Os contos dos irmãos Grimm revisitados numa história actual.
É urgente que se mostre mais este cineasta aos portugueses.
Y
Por razões várias, só ontem vi o filme de Fernando Lopes, "O Delfim", baseado na obra de José Cardoso Pires.
É um filme com interesse. No panorama do que se faz em Portugal. Fernando Lopes filma muito bem algumas cenas, não se poupa na captação de outras tantas, afastando-se desse modo do registo preguiçoso a que temos assistido largamente, nos últimos anos. Claramente, Fernando Lopes não liga a câmara e vai beber um copo enquanto a fita corre. Poderia faze-lo, mas não. Há trabalho. Alexandra Lencastre faz uma bela Maria das Mercês e o Rogério Samora vai igualmente bem, naquele que parece ser um dos únicos papéis para que se lembram de o convidar: o galã duro.
O argumento, na minha humilde opinião, não é grande coisa, peço desculpa. Assenta num belo romance e não se atreve a descolar dele. A já cansativa voz de Rui Morrison, a debitar em off (para variar) textos literários. (ps: mas atendendo ao trabalho de actor, ainda bem que ele geralmente só dá a voz...) Vasco Pulido Valente prova com brio que é um cronista com interesse. Já argumentista não será.
Fica-nos contudo, a ideia de termos visto um bom filme; uma história forte, narrada com coragem. Talvez não seja motivo para a exaltação que a imprensa (de uma certa geração, sobretudo) provocou. Não é uma obra-prima. Mas também não é uma obra-tia, ao arrepio dos tempos que correm. É algures entre a passagem e o meio caminho... Mas melhor.
Por razões várias, só ontem vi o filme de Fernando Lopes, "O Delfim", baseado na obra de José Cardoso Pires.
É um filme com interesse. No panorama do que se faz em Portugal. Fernando Lopes filma muito bem algumas cenas, não se poupa na captação de outras tantas, afastando-se desse modo do registo preguiçoso a que temos assistido largamente, nos últimos anos. Claramente, Fernando Lopes não liga a câmara e vai beber um copo enquanto a fita corre. Poderia faze-lo, mas não. Há trabalho. Alexandra Lencastre faz uma bela Maria das Mercês e o Rogério Samora vai igualmente bem, naquele que parece ser um dos únicos papéis para que se lembram de o convidar: o galã duro.
O argumento, na minha humilde opinião, não é grande coisa, peço desculpa. Assenta num belo romance e não se atreve a descolar dele. A já cansativa voz de Rui Morrison, a debitar em off (para variar) textos literários. (ps: mas atendendo ao trabalho de actor, ainda bem que ele geralmente só dá a voz...) Vasco Pulido Valente prova com brio que é um cronista com interesse. Já argumentista não será.
Fica-nos contudo, a ideia de termos visto um bom filme; uma história forte, narrada com coragem. Talvez não seja motivo para a exaltação que a imprensa (de uma certa geração, sobretudo) provocou. Não é uma obra-prima. Mas também não é uma obra-tia, ao arrepio dos tempos que correm. É algures entre a passagem e o meio caminho... Mas melhor.
11 de setembro de 2003
AGARRA QUÉ LADRÃO!
Hoje roubaram-me a carteira. Foi a segunda vez na vida. Mas esta aventura só durou dois minutos. Um indivíduo que eu nem cheguei a ver, seguiu-me no interior de uma loja de roupa no Chiado. Enquanto eu me arrepiava com os preços, ele abriu-me a mochila e levou-me tudo (dinheiro, documentos...). Valeu-me o gerente, brasileiro, que detectou a coisa e perseguiu o ladrão. Ia a 50 metros da loja, já de carteira estendida: "Deixou-a cair, eu apanhei-a e... esqueci-me de a devolver". A desculpa foi tão esfarrapada que o deixámos ir embora com um endereço de um curso de criatividade. O desgraçado não sabia que para ser carteirista hoje em dia é necessário desenvolver competências na área da comunicação.
Bom... no que tocava à linguagem não-verbal ele estava afinado...
Hoje roubaram-me a carteira. Foi a segunda vez na vida. Mas esta aventura só durou dois minutos. Um indivíduo que eu nem cheguei a ver, seguiu-me no interior de uma loja de roupa no Chiado. Enquanto eu me arrepiava com os preços, ele abriu-me a mochila e levou-me tudo (dinheiro, documentos...). Valeu-me o gerente, brasileiro, que detectou a coisa e perseguiu o ladrão. Ia a 50 metros da loja, já de carteira estendida: "Deixou-a cair, eu apanhei-a e... esqueci-me de a devolver". A desculpa foi tão esfarrapada que o deixámos ir embora com um endereço de um curso de criatividade. O desgraçado não sabia que para ser carteirista hoje em dia é necessário desenvolver competências na área da comunicação.
Bom... no que tocava à linguagem não-verbal ele estava afinado...
OLYMPIA
Na morte de Leni Riefenstahl, todos os comentadores optaram pelo registo cauteloso. Obra com algum interesse, mas... O "Mas" era a acusação de ligação ao nazismo. Eu entendo este movimento, mas no que toda à arte, não poderíamos separar as coisas? Sim, ela fez um filme propagandístico sobre as Olimpíadas... E sim, esse foi o filme mais bonito que alguma vez se fez sobre o assunto. Não poderemos admirar o lado artístico de uma coisa que foi utilizada para outros fins? Provavelmente, Riefenstahl viu apenas o movimento e a beleza estética ao espreitar pelo visor da cãmara. E mesmo que não tenha sido assim, será o que dela restará para o futuro.
Na morte de Leni Riefenstahl, todos os comentadores optaram pelo registo cauteloso. Obra com algum interesse, mas... O "Mas" era a acusação de ligação ao nazismo. Eu entendo este movimento, mas no que toda à arte, não poderíamos separar as coisas? Sim, ela fez um filme propagandístico sobre as Olimpíadas... E sim, esse foi o filme mais bonito que alguma vez se fez sobre o assunto. Não poderemos admirar o lado artístico de uma coisa que foi utilizada para outros fins? Provavelmente, Riefenstahl viu apenas o movimento e a beleza estética ao espreitar pelo visor da cãmara. E mesmo que não tenha sido assim, será o que dela restará para o futuro.
10 de setembro de 2003
PEDIDO
Meus senhores, verifico com desgosto que algumas pessoas poderão estar a visitar esta página mais de uma vez por dia. Além de haver coisas melhores para fazer, como visitar o Museu Militar ou ir ouvir a música que o dj Santana Lopes seleccionou para a baixa de Lisboa (isto para o pessoal do Brasil, Itália ou Hungria... é capaz de ser mais difícil, mas é só encontrar substituto local) isso engorda o número de page views. Sugeria que visitassem mais o Abrupto que além de ser uma coisa mais... consensual, ainda é um grande contador de visitas. Não há dia que o deputado Pacheco não faça estatística. E, a atentar nas suas estatísticas, além de ter sido o pai dos blogues é agora o campeão. Viva!
Meus senhores, verifico com desgosto que algumas pessoas poderão estar a visitar esta página mais de uma vez por dia. Além de haver coisas melhores para fazer, como visitar o Museu Militar ou ir ouvir a música que o dj Santana Lopes seleccionou para a baixa de Lisboa (isto para o pessoal do Brasil, Itália ou Hungria... é capaz de ser mais difícil, mas é só encontrar substituto local) isso engorda o número de page views. Sugeria que visitassem mais o Abrupto que além de ser uma coisa mais... consensual, ainda é um grande contador de visitas. Não há dia que o deputado Pacheco não faça estatística. E, a atentar nas suas estatísticas, além de ter sido o pai dos blogues é agora o campeão. Viva!
SLIDE & SPLASH
Penso frequentemente no que me separa de outros "pensadores" (passo a imodéstia, sendo que quando uso a expressão, nem por isso é lá muito elogiosa, é mais um "existo, logo penso"...). Além de abominar a escuridão da valeta e os ensaios críticos sobre a "Alteridade enquanto Expressão da Quadratura Cognitiva", penso que o maior fosso consiste no facto de eu achar piada em correr do Kamikaze para o Blue Hole e deste para o Twister... E, talvez, em não ter grande atracção pelas Pistas Planas.
Penso frequentemente no que me separa de outros "pensadores" (passo a imodéstia, sendo que quando uso a expressão, nem por isso é lá muito elogiosa, é mais um "existo, logo penso"...). Além de abominar a escuridão da valeta e os ensaios críticos sobre a "Alteridade enquanto Expressão da Quadratura Cognitiva", penso que o maior fosso consiste no facto de eu achar piada em correr do Kamikaze para o Blue Hole e deste para o Twister... E, talvez, em não ter grande atracção pelas Pistas Planas.
RADICAL CATS
Confirma-se a ida dos Fedorentos para a Sic Radical. O Ricardo promete que finalmente vai fazer sketches com graça. Olha, lá, meu malandro, conselho de amigo: se vês que não és capaz, não prometas, hã! ;)
ps: Alguém me explica por que razão só na Sic Radical é que pode passar humor português interessante?
Confirma-se a ida dos Fedorentos para a Sic Radical. O Ricardo promete que finalmente vai fazer sketches com graça. Olha, lá, meu malandro, conselho de amigo: se vês que não és capaz, não prometas, hã! ;)
ps: Alguém me explica por que razão só na Sic Radical é que pode passar humor português interessante?
HUMANUM EST
No DN de hoje, Miguel Poiares Maduro, defende o direito ao erro. E aponta para uma característica fundamental da natureza dos portugueses: perdoa-se tudo, menos o erro verificável. Com o que isto tem de castrante na aprendizagem, aplicação da justiça e desenvolvimento das capacidades criativas.
Se não fosse longa, contaria aqui a história chinesa dos três animais que frequentam uma escola com o intuito de se aperfeiçoarem. E de como o gato saltava maravilhosamente mas era incapaz de voar, tal como outros animais, dotados de uma capacidade maravilhosa, mas incapazes de dominar medianamente tudo o que se poderia fazer. Se bem me lembro da história, ganhou o pato, que fazia tudo mais ou menos, embora nada com génio. Era o triunfo da mediocridade.
Os portugueses pelam-se pela mediocridade. Preferem-na ao brilho do diamante em bruto.
Lembro-me de um professor que tive na faculdade que deu a melhor nota a uma das minhas colegas mais tolas, mas que tinha feito trabalhos de muita cópia e nennhuma ideia. Aos que apresentaram propostas novas, provavelmente menos defensáveis castigou com nota baixa. O mais importante era que não se errasse.
Se bem me lembro, há uns anos atrás, a quase totalidade da crítica e do público leitor insurgia-se contra um escritor que usava a pontuação de forma "abusiva". Para não escreverem "errada". Hoje, ele vive em Lanzarote.
Apesar dos "erros"
No DN de hoje, Miguel Poiares Maduro, defende o direito ao erro. E aponta para uma característica fundamental da natureza dos portugueses: perdoa-se tudo, menos o erro verificável. Com o que isto tem de castrante na aprendizagem, aplicação da justiça e desenvolvimento das capacidades criativas.
Se não fosse longa, contaria aqui a história chinesa dos três animais que frequentam uma escola com o intuito de se aperfeiçoarem. E de como o gato saltava maravilhosamente mas era incapaz de voar, tal como outros animais, dotados de uma capacidade maravilhosa, mas incapazes de dominar medianamente tudo o que se poderia fazer. Se bem me lembro da história, ganhou o pato, que fazia tudo mais ou menos, embora nada com génio. Era o triunfo da mediocridade.
Os portugueses pelam-se pela mediocridade. Preferem-na ao brilho do diamante em bruto.
Lembro-me de um professor que tive na faculdade que deu a melhor nota a uma das minhas colegas mais tolas, mas que tinha feito trabalhos de muita cópia e nennhuma ideia. Aos que apresentaram propostas novas, provavelmente menos defensáveis castigou com nota baixa. O mais importante era que não se errasse.
Se bem me lembro, há uns anos atrás, a quase totalidade da crítica e do público leitor insurgia-se contra um escritor que usava a pontuação de forma "abusiva". Para não escreverem "errada". Hoje, ele vive em Lanzarote.
Apesar dos "erros"
7 de setembro de 2003
O EXPRESSO ABUSA
Não consigo perceber a má vontade de alguma imprensa contra a criatividade de antigos trabalhadores da RTP. Se não trabalham, é porque não trabalham, Se importam recursos e actores estrangeiros é porque desbaratam os recursos nacionais... Por uma vez, que eles filmaram as NOSSAS crianças, usaram os Nossos equipamentos e ainda conseguiram um bom lucro vendendo os filmes aos milhares para o estrangeiro, caem-lhes em cima.... Assim, não admira que o pessoal se desmotive...
Não consigo perceber a má vontade de alguma imprensa contra a criatividade de antigos trabalhadores da RTP. Se não trabalham, é porque não trabalham, Se importam recursos e actores estrangeiros é porque desbaratam os recursos nacionais... Por uma vez, que eles filmaram as NOSSAS crianças, usaram os Nossos equipamentos e ainda conseguiram um bom lucro vendendo os filmes aos milhares para o estrangeiro, caem-lhes em cima.... Assim, não admira que o pessoal se desmotive...
VIVIR
Estou com o Dicionário, nesta matéria: as entrevistas do Alberto João de mamas ao léu e ideias reacionárias na ponta da língua deveriam ser transmitidas codificadas. Só quem tivesse uma "Regional-tacho-box" é que poderia assistir.
Estou com o Dicionário, nesta matéria: as entrevistas do Alberto João de mamas ao léu e ideias reacionárias na ponta da língua deveriam ser transmitidas codificadas. Só quem tivesse uma "Regional-tacho-box" é que poderia assistir.
PS AO POST DO AVANTE:
Também percebi que o PC não muda porque já não pode mudar. Agarrou-se ao seu passado histórico como o náufrago se agarra à porta da cabine de pilotagem, onde um dia se traçaram rumos brilhantes. Os comunistas estão velhos, vão morrer em breve e, na sua vertigem para a morte, querem levar com eles, os jovens que com o coração cheio de ideais se acercam deles. Não repetem a cassete por mal, fazem-no porque já não são capazes de emendar o discurso. São tão conservadores como os mais reaccionários de direita. E, contudo, quantos deles deram parte da sua vida pela ideia de um mundo pleno de diferenças?
Também percebi que o PC não muda porque já não pode mudar. Agarrou-se ao seu passado histórico como o náufrago se agarra à porta da cabine de pilotagem, onde um dia se traçaram rumos brilhantes. Os comunistas estão velhos, vão morrer em breve e, na sua vertigem para a morte, querem levar com eles, os jovens que com o coração cheio de ideais se acercam deles. Não repetem a cassete por mal, fazem-no porque já não são capazes de emendar o discurso. São tão conservadores como os mais reaccionários de direita. E, contudo, quantos deles deram parte da sua vida pela ideia de um mundo pleno de diferenças?
AVANTE
Primeiro, aturar as piadas da família e dos amigos mais conservadores sobre o que parece ser uma clara vontade de ir abraçar os ideais comunistas. Depois, o nosso próprio divertimento a caminho de uma festa que sabemos política. Por fim, o recinto.
A primeira surpresa consiste na quantida gigantesca de jovens. Se a JCP tive um quarto daquela gente, o partido comunista português não estaria onde está. Sente-se uma onda... "freak", mal se entra. Ou antes, flower power. São as mochilas e os sacos de pôr a tiracolo de cores alucinadas, as sandálias de couro, o ar descontraído com que se anda sem camisola. Há uma Boa Onda, nesta festa. A solidariedade impera e encontramos sempre alguém que nos ajuda a encontrar isto ou aquilo. Já ninguém nos trata por "camarada" (embora os altifalantes façam a clara distinção "Avisam-se os camaradas, os amigos e os visitantes que..."), como antigamente.
A festa do Avante transformou-se num enorme encontro inter-geracional pela sobrevivência de alguns valores humanitários. Explicando melhor: apesar do esforço que o PCP faz para enfiar na cabeça dos militantes os seus anacronismos distorcidos, a maioria das pessoas move-se por Outra Coisa. Algo do campo da Paz, da Solidariedade e da Harmonia com a Natureza. Na verdade, se o comité Central não estivesse tão ancilosado, perceberia que o grosso dos visitantes não é seu Camarada e muito menos seu Amigo. Está-se tudo a cagar para a Luta contra O Pacote Laboral e contra a Maravilha de Governação dos Países Comunistas. Aqueles milhares de jovens celebravam o acto de estar vivo, sobretudo. E de partilharem em comunidade esse sentimento.
A Música, ontem, sábado, não foi grande coisa. Sobretudo no Palco 25 de Abril ( o palco principal). Os grupos eram esforçados, mas cansativos. E o concerto da Maria João e do Mário Laginha, talvez por causa do tamanho do espaço, também não teve nada de apelativo. Para os "Cabeças no Ar" que encerravam a coisa, não houve pachorra. Se calhar foi interessante. Não sei.
Contudo, houve coisas interessantes, no campo da world music e dos géneros mais alternativos. Acordeão e instrumentos de banda de Jazz (leia-se contrabaixos, sax...) mostraram-se bem mais interessantes do que os Grandes Eventos.
Também se come bem, por lá. Não sendo barato, contudo. A gastronomia dos locais mais variados do país, em jeito de amostra.
O pavilhão da Madeira levava 1.80 € por um cálice de poncha. E em homenagem ao Paulo Moreiras, pedi no pavilhão de Lisboa uma ginja: indescritível de aldrabice. Aí, sim, fui roubado.
Resumo: Vale a pena blindar os ouvidos à cassete e ir até à Quinta da Atalaia, na margem Sul do Tejo. Pelo sítio, pelo espírito dos visitantes e pela ideia quase invisível de existe um lado muito melhor dos portugueses do que aquele que nos é mostrado pelas televisões.
Primeiro, aturar as piadas da família e dos amigos mais conservadores sobre o que parece ser uma clara vontade de ir abraçar os ideais comunistas. Depois, o nosso próprio divertimento a caminho de uma festa que sabemos política. Por fim, o recinto.
A primeira surpresa consiste na quantida gigantesca de jovens. Se a JCP tive um quarto daquela gente, o partido comunista português não estaria onde está. Sente-se uma onda... "freak", mal se entra. Ou antes, flower power. São as mochilas e os sacos de pôr a tiracolo de cores alucinadas, as sandálias de couro, o ar descontraído com que se anda sem camisola. Há uma Boa Onda, nesta festa. A solidariedade impera e encontramos sempre alguém que nos ajuda a encontrar isto ou aquilo. Já ninguém nos trata por "camarada" (embora os altifalantes façam a clara distinção "Avisam-se os camaradas, os amigos e os visitantes que..."), como antigamente.
A festa do Avante transformou-se num enorme encontro inter-geracional pela sobrevivência de alguns valores humanitários. Explicando melhor: apesar do esforço que o PCP faz para enfiar na cabeça dos militantes os seus anacronismos distorcidos, a maioria das pessoas move-se por Outra Coisa. Algo do campo da Paz, da Solidariedade e da Harmonia com a Natureza. Na verdade, se o comité Central não estivesse tão ancilosado, perceberia que o grosso dos visitantes não é seu Camarada e muito menos seu Amigo. Está-se tudo a cagar para a Luta contra O Pacote Laboral e contra a Maravilha de Governação dos Países Comunistas. Aqueles milhares de jovens celebravam o acto de estar vivo, sobretudo. E de partilharem em comunidade esse sentimento.
A Música, ontem, sábado, não foi grande coisa. Sobretudo no Palco 25 de Abril ( o palco principal). Os grupos eram esforçados, mas cansativos. E o concerto da Maria João e do Mário Laginha, talvez por causa do tamanho do espaço, também não teve nada de apelativo. Para os "Cabeças no Ar" que encerravam a coisa, não houve pachorra. Se calhar foi interessante. Não sei.
Contudo, houve coisas interessantes, no campo da world music e dos géneros mais alternativos. Acordeão e instrumentos de banda de Jazz (leia-se contrabaixos, sax...) mostraram-se bem mais interessantes do que os Grandes Eventos.
Também se come bem, por lá. Não sendo barato, contudo. A gastronomia dos locais mais variados do país, em jeito de amostra.
O pavilhão da Madeira levava 1.80 € por um cálice de poncha. E em homenagem ao Paulo Moreiras, pedi no pavilhão de Lisboa uma ginja: indescritível de aldrabice. Aí, sim, fui roubado.
Resumo: Vale a pena blindar os ouvidos à cassete e ir até à Quinta da Atalaia, na margem Sul do Tejo. Pelo sítio, pelo espírito dos visitantes e pela ideia quase invisível de existe um lado muito melhor dos portugueses do que aquele que nos é mostrado pelas televisões.
6 de setembro de 2003
DIÁRIO DA VOLTA
Hoje a camisola amarela do BB foi para a Carla. Para os que a tomaram como a criatura mais burra da casa ( e a luta é renhida) veio provar que não é bem assim. Em dois dias conseguiu ser eleita "líder" (é certo que o foi porque ninguém a aturava) e saltar para cima do rapaz dos abdominais de ferro. Este também merece uma nota de encorajamento porque à afirmação feita por uma outra concorrente (ao sexo) "Tu não tens nada na cabeça", ele respondia em intervalos regulares de 22 segundos: "por qué k dizes isso?".
Eu próprio fiquei a pensar sobre esta questão e cheguei à conclusão que ela pretendia resguarda-lo do sol que hoje se fez sentir com intensidade. "Tu não tens nada na cabeça" era apenas o aviso de uma carinhosa amiga.
Hoje a camisola amarela do BB foi para a Carla. Para os que a tomaram como a criatura mais burra da casa ( e a luta é renhida) veio provar que não é bem assim. Em dois dias conseguiu ser eleita "líder" (é certo que o foi porque ninguém a aturava) e saltar para cima do rapaz dos abdominais de ferro. Este também merece uma nota de encorajamento porque à afirmação feita por uma outra concorrente (ao sexo) "Tu não tens nada na cabeça", ele respondia em intervalos regulares de 22 segundos: "por qué k dizes isso?".
Eu próprio fiquei a pensar sobre esta questão e cheguei à conclusão que ela pretendia resguarda-lo do sol que hoje se fez sentir com intensidade. "Tu não tens nada na cabeça" era apenas o aviso de uma carinhosa amiga.
5 de setembro de 2003
MEXIA ERROU
O meu amigo Pedro, erra ao atribuir à Oficina do Livro a publicação de uma Coisa chamada "Todos Lá Dentro". O trocadilho que faz é bom, mas a editora é outra. Fiquei logo com essa impressão e hoje ao passar pela livraria do bloguista Escala-Estantes, espreitei a montra e confirmei que era uma editora desconhecida qualquer. Não me pagam para dizer isto mas se Oficina pode publicar livros de pouco interesse literário (Já sei, Zulmira, o meu, sim, pronto, vá lá deitar na saca, pronto...) raramente publica sub-merdas (com excepção do Socialíssimo, da nossa Trepadora Social...). E se o fizesse, haveria de lhes encontrar uma capa mais jeitosa. Parece-me a mim...
...E por falar em sub-produtos e em bobagens, chamou-me hoje a atenção o novo número da revista Os Meus (salvo seja) Livros. O destaque de capa vai precisamente para o lançamento da obra referida em cima, de Paula Bob. Os meus parabéns ao conselho de redacção que se mantém inalterável no rumo de trazer aos leitores o melhor da nossa literatura. Cinco Estrelas para a escolha.
O meu amigo Pedro, erra ao atribuir à Oficina do Livro a publicação de uma Coisa chamada "Todos Lá Dentro". O trocadilho que faz é bom, mas a editora é outra. Fiquei logo com essa impressão e hoje ao passar pela livraria do bloguista Escala-Estantes, espreitei a montra e confirmei que era uma editora desconhecida qualquer. Não me pagam para dizer isto mas se Oficina pode publicar livros de pouco interesse literário (Já sei, Zulmira, o meu, sim, pronto, vá lá deitar na saca, pronto...) raramente publica sub-merdas (com excepção do Socialíssimo, da nossa Trepadora Social...). E se o fizesse, haveria de lhes encontrar uma capa mais jeitosa. Parece-me a mim...
...E por falar em sub-produtos e em bobagens, chamou-me hoje a atenção o novo número da revista Os Meus (salvo seja) Livros. O destaque de capa vai precisamente para o lançamento da obra referida em cima, de Paula Bob. Os meus parabéns ao conselho de redacção que se mantém inalterável no rumo de trazer aos leitores o melhor da nossa literatura. Cinco Estrelas para a escolha.
EYES WIDE SHUT
Por indicação do Joel, espreitei o Ambram os Olhos. Mesmo não concordando com tudo, devo dizer que o seu comentário, caro H., sobre os romancistas me parece muito próximo da realidade. Partilho a teoria das personagens e do trabalho sério, sobretudo.
Sugeria-lhe contudo, se me permite a franqueza, que cite sempre as afirmações sinceras de Lobo Antunes com duplas aspas. Uma espécie de preservativo de pontuação, se quiser... ;-)
Por indicação do Joel, espreitei o Ambram os Olhos. Mesmo não concordando com tudo, devo dizer que o seu comentário, caro H., sobre os romancistas me parece muito próximo da realidade. Partilho a teoria das personagens e do trabalho sério, sobretudo.
Sugeria-lhe contudo, se me permite a franqueza, que cite sempre as afirmações sinceras de Lobo Antunes com duplas aspas. Uma espécie de preservativo de pontuação, se quiser... ;-)
LAUGHING OUT LOUD
Hoje tive uma sensação de dejà vu: um tipo novo, sentado face a face com a namorada, num dos corredores da FNAC Chiado, ria a bandeiras despregadas com o que acabava de ler num livro de cartoons.
Uma voz do passado chegou até mim, dizendo-me de novo: "Pareces maluco! O que verá ele de tão engraçado nos livros...?!"
Hoje tive uma sensação de dejà vu: um tipo novo, sentado face a face com a namorada, num dos corredores da FNAC Chiado, ria a bandeiras despregadas com o que acabava de ler num livro de cartoons.
Uma voz do passado chegou até mim, dizendo-me de novo: "Pareces maluco! O que verá ele de tão engraçado nos livros...?!"
4 de setembro de 2003
CULINÁRIA
Ao experimentar uma nova forma de fazer arroz-doce, consegui a minha primeira versão CASTANHA.
Não foi difícil: o segredo está em ultrapassar largamente o tempo normal de cozedura.
ps: Se viverem no campo, sugiro que não o atirem às galinhas. Se o fizerem e alguma deitar a cabeça fora do forno a cantar "Gracias a la vida", não se admirem.
Ao experimentar uma nova forma de fazer arroz-doce, consegui a minha primeira versão CASTANHA.
Não foi difícil: o segredo está em ultrapassar largamente o tempo normal de cozedura.
ps: Se viverem no campo, sugiro que não o atirem às galinhas. Se o fizerem e alguma deitar a cabeça fora do forno a cantar "Gracias a la vida", não se admirem.
TV PÚBLICA
Hoje, de tarde, vi alguém que me pareceu a Dina Aguiar a fazer uma reportagem. Meu Deus: quantas surpresas mais existirão naquela 5 de Outubro?! Não me admirava nada que eles guardassem numa prateleira o gordo do Bonanza e a Abelha Maia em pessoa.
Uma alma caridosa que vá investigar a folha de salários da empresa e que diga de vez QUEM é que eles mantêm sequestrado.
Hoje, de tarde, vi alguém que me pareceu a Dina Aguiar a fazer uma reportagem. Meu Deus: quantas surpresas mais existirão naquela 5 de Outubro?! Não me admirava nada que eles guardassem numa prateleira o gordo do Bonanza e a Abelha Maia em pessoa.
Uma alma caridosa que vá investigar a folha de salários da empresa e que diga de vez QUEM é que eles mantêm sequestrado.
CÁ VAMOS MUGINDO E RINDO
Como se não bastasse a tourada do Vasco da Gama aos fins-de-semana, agora há uma tourada A SÉRIO, no Parque das Nações.
De acordo com o promotor da iniciativa (sabe-se lá o grau de confiança do senhor...), o presidente Jorge Sampaio queria estar presente no barbeque de hoje, em homenagem a um toureiro. A ser verdade, seria interessante lembrar ao senhor Presidente que há alturas em que a prudência manda não meter em cavalarias altas...
Tenho estado a pensar no que me aborrece nas touradas. E cheguei à conclusão que talvez seja a escolha do bicho. Eu sei que os ganadeiros usam touros porque querem proteger a espécie da extinção... Mas, não seria possível substituir por "Tias"? Talvez daquelas que a esta hora estarão a assistir ao "espectáculo". Eu até nem digo que se usassem farpas... Agulhas de crochet no lombo já davam motivos de gáudio.
Como se não bastasse a tourada do Vasco da Gama aos fins-de-semana, agora há uma tourada A SÉRIO, no Parque das Nações.
De acordo com o promotor da iniciativa (sabe-se lá o grau de confiança do senhor...), o presidente Jorge Sampaio queria estar presente no barbeque de hoje, em homenagem a um toureiro. A ser verdade, seria interessante lembrar ao senhor Presidente que há alturas em que a prudência manda não meter em cavalarias altas...
Tenho estado a pensar no que me aborrece nas touradas. E cheguei à conclusão que talvez seja a escolha do bicho. Eu sei que os ganadeiros usam touros porque querem proteger a espécie da extinção... Mas, não seria possível substituir por "Tias"? Talvez daquelas que a esta hora estarão a assistir ao "espectáculo". Eu até nem digo que se usassem farpas... Agulhas de crochet no lombo já davam motivos de gáudio.
JEANS
No "ARTE", vejo um documentário sobre calças de ganga. Eu que julgava que o problema consistia em não se usar depois de as nódoas já serem muito visíveis, ou as baínhas pedirem misericórdia... Aparentemente a coisa é mais complicada.
Entre outras histórias, referem o caso de dois vendedores de jeans, que na União Soviética dos anos 60 foram condenados como "Inimigos do Povo". Uma pena inicial de 15 anos para os dois homens jovens (24 e 30 anos de idade) não foi considerada suficiente. O procurador requereu um novo julgamento. Neste, transformado num exemplo para toda a juventude russa, os arguidos foram condenados à morte.
No "ARTE", vejo um documentário sobre calças de ganga. Eu que julgava que o problema consistia em não se usar depois de as nódoas já serem muito visíveis, ou as baínhas pedirem misericórdia... Aparentemente a coisa é mais complicada.
Entre outras histórias, referem o caso de dois vendedores de jeans, que na União Soviética dos anos 60 foram condenados como "Inimigos do Povo". Uma pena inicial de 15 anos para os dois homens jovens (24 e 30 anos de idade) não foi considerada suficiente. O procurador requereu um novo julgamento. Neste, transformado num exemplo para toda a juventude russa, os arguidos foram condenados à morte.
3 de setembro de 2003
BIG PLAN
Conta-me uma fonte bem informada que durante um zapping pelo canal 43, onde pastam os meninos da casa mais idiota do país, ter deparado com uma cena higiénica. Aparentemente, a rapaziada toma banho de calções para evitar a escandaleira. Mas a TVI é mais esperta: quando um dos desgraçados meteu a mão, por assim dizer... nos seus interiores, a câmara seguiu-o em voluptuoso zoom, onde se demorou, enchendo o ecrã de significados inesperados. Ou me engano muito, ou na próxima Gala (do verbo "galar"), a Teresa Guilherme vai tornar-se na primeira comentadora Porno da televisão portuguesa...
Conta-me uma fonte bem informada que durante um zapping pelo canal 43, onde pastam os meninos da casa mais idiota do país, ter deparado com uma cena higiénica. Aparentemente, a rapaziada toma banho de calções para evitar a escandaleira. Mas a TVI é mais esperta: quando um dos desgraçados meteu a mão, por assim dizer... nos seus interiores, a câmara seguiu-o em voluptuoso zoom, onde se demorou, enchendo o ecrã de significados inesperados. Ou me engano muito, ou na próxima Gala (do verbo "galar"), a Teresa Guilherme vai tornar-se na primeira comentadora Porno da televisão portuguesa...
2 de setembro de 2003
MARTE
Hoje era um dia em que não gostaria de ter um deus da guerra a morar cá dentro. Não porque o mundo tenha deixado de ser uma floresta de emboscadas, pejada de malfeitores e bichos agressivos. Mas porque gostaria de chegar ao seu fim, como o mendigo que envelheceu enquanto passava por bandos de gente ambiciosa, sem tirar os olhos das ervas que deslizavam por debaixo dos seus pés.
Será pedir muito a mim próprio?
Hoje era um dia em que não gostaria de ter um deus da guerra a morar cá dentro. Não porque o mundo tenha deixado de ser uma floresta de emboscadas, pejada de malfeitores e bichos agressivos. Mas porque gostaria de chegar ao seu fim, como o mendigo que envelheceu enquanto passava por bandos de gente ambiciosa, sem tirar os olhos das ervas que deslizavam por debaixo dos seus pés.
Será pedir muito a mim próprio?
EM SURDINA TUDO SE DIZ
Hoje, ao almoço, falava com um conhecido, a propósito de um certo blogue eventualmente mentiroso. Chegámos à conclusão que já toda a gente o tinha lido, mas que quase todos se recusavam a dar o endereço.
Eu sabia que um dia teríamos o nosso próprio Voldemort. No caso português é "Aquele-De-Quem-Não-Se-Pode-Dizer-O-Link"...
Hoje, ao almoço, falava com um conhecido, a propósito de um certo blogue eventualmente mentiroso. Chegámos à conclusão que já toda a gente o tinha lido, mas que quase todos se recusavam a dar o endereço.
Eu sabia que um dia teríamos o nosso próprio Voldemort. No caso português é "Aquele-De-Quem-Não-Se-Pode-Dizer-O-Link"...
PORN
Depois de ver o filme KEN PARK, interrogo-me sobre a palavra "pornográfico". Se lermos a imprensa sobre o filme (reproduzindo o que já foi dito noutros países) veremos que a maior parte não se debruça particularmente sobre as virtudes do filme. Não: o que lhe interessa é "ser um filme pornográfico". Deduzo que façam esta afirmação por aparecerem umas pilas no filme (é verdade, os americanos têm pila, o que vem contrariar mais de 100 anos de história do cinema), e um dos rapazes passar alguns minutos a dar à língua com uma linda senhora... Ah, e uma criatura feia como as casas masturba-se até ao fim. Pelo que li, isto seria o filme.
Não é. Ken Park é um filme sobre o incómodo de uma geração a quem não se exige um futuro.
ps: "pornográfico" é ver, como eu vi, um carro de um membro do governo, estacionado sem motorista, em frente à FNAC do Chiado, onde outra pessoa qualquer seria multada em 2 minutos, enquanto o seu ocupante ia "dar uma voltinha pelas novidades". Ou ligar a RTP entre as 10 h da manhã e as 4 h da tarde e ver medíocre atrás de medíocre encher-nos o dia com risos alarves, e os bolsos próprios com ordenados de muitas centenas de contos (depois de impostos, claro).
Depois de ver o filme KEN PARK, interrogo-me sobre a palavra "pornográfico". Se lermos a imprensa sobre o filme (reproduzindo o que já foi dito noutros países) veremos que a maior parte não se debruça particularmente sobre as virtudes do filme. Não: o que lhe interessa é "ser um filme pornográfico". Deduzo que façam esta afirmação por aparecerem umas pilas no filme (é verdade, os americanos têm pila, o que vem contrariar mais de 100 anos de história do cinema), e um dos rapazes passar alguns minutos a dar à língua com uma linda senhora... Ah, e uma criatura feia como as casas masturba-se até ao fim. Pelo que li, isto seria o filme.
Não é. Ken Park é um filme sobre o incómodo de uma geração a quem não se exige um futuro.
ps: "pornográfico" é ver, como eu vi, um carro de um membro do governo, estacionado sem motorista, em frente à FNAC do Chiado, onde outra pessoa qualquer seria multada em 2 minutos, enquanto o seu ocupante ia "dar uma voltinha pelas novidades". Ou ligar a RTP entre as 10 h da manhã e as 4 h da tarde e ver medíocre atrás de medíocre encher-nos o dia com risos alarves, e os bolsos próprios com ordenados de muitas centenas de contos (depois de impostos, claro).
COISAS DA TERCEIRA
O Joel Neto anda em recolha de palavras e expressões da Ilha Terceira. Bastou o excerto que reproduzo com a devida vénia para eu dar um salto para trás no tempo :)
"Acaçapar (diz-se acaçapá) -- acomodar, ganhar juízo ("Ó pequena, mas tu achas que eu te deixava ir para o Big Brother? Acaçapa-te, mas é!...")
O açoriano de coração agradece.
O Joel Neto anda em recolha de palavras e expressões da Ilha Terceira. Bastou o excerto que reproduzo com a devida vénia para eu dar um salto para trás no tempo :)
"Acaçapar (diz-se acaçapá) -- acomodar, ganhar juízo ("Ó pequena, mas tu achas que eu te deixava ir para o Big Brother? Acaçapa-te, mas é!...")
O açoriano de coração agradece.
AQUILO COM QUE OS CRIATIVOS COMPRAM OS MELÕES
Custa mais a arrancar que um dente do siso... Implica telefonemas vários, paciência de santo(a) e uma carapaça contra a lata que do lado de lá se encontrará ("Vou ver o que é que se pode fazer...", frase habitualmente referente ao pagamento que deveria ter sido efectuado, sem mais, 3 MESES ANTES!). Um conselho a todos os que suspiram por uma vida de criadores, cheia de reconhecimento e de ondas de apreço: esqueçam a compra das 4 assoalhadas no Cacém, deitem fora a ideia que irão ao lado dos vossos amigos na viagem promocional a Palma de Maiorca; e nem pensem que um dia vão poder responder ao vosso filho adolescente: "Ai queres um aparelho nos dentes? Vamos lá a isso".
Lembram-se do Camões todo encolhidinho na manta com o estômago colado às costas? Agora é quase o mesmo, com a diferença que temos o número de telefone das secções de contabilidade dos sítios para onde escrevemos ou desenhamos... e um Mini-Preço ao virar da esquina...
Custa mais a arrancar que um dente do siso... Implica telefonemas vários, paciência de santo(a) e uma carapaça contra a lata que do lado de lá se encontrará ("Vou ver o que é que se pode fazer...", frase habitualmente referente ao pagamento que deveria ter sido efectuado, sem mais, 3 MESES ANTES!). Um conselho a todos os que suspiram por uma vida de criadores, cheia de reconhecimento e de ondas de apreço: esqueçam a compra das 4 assoalhadas no Cacém, deitem fora a ideia que irão ao lado dos vossos amigos na viagem promocional a Palma de Maiorca; e nem pensem que um dia vão poder responder ao vosso filho adolescente: "Ai queres um aparelho nos dentes? Vamos lá a isso".
Lembram-se do Camões todo encolhidinho na manta com o estômago colado às costas? Agora é quase o mesmo, com a diferença que temos o número de telefone das secções de contabilidade dos sítios para onde escrevemos ou desenhamos... e um Mini-Preço ao virar da esquina...
ESCREVER ACORDADO
Às vezes, é como uma frase musical; um tom de história. Sabe-se que bastava sentar naquele instante para ter a possibilidade de agarrar aquele fragmento de escrita... Mas, depois o olhar distrai-se com outra coisa qualquer, alguém chama da cozinha, um carro de bombeiros atroa a rua... E tudo desapareceu. Voltou de novo para o limbo. Para o sítio das neves. Para o grande depósito dos relatos por fazer...
Às vezes, é como uma frase musical; um tom de história. Sabe-se que bastava sentar naquele instante para ter a possibilidade de agarrar aquele fragmento de escrita... Mas, depois o olhar distrai-se com outra coisa qualquer, alguém chama da cozinha, um carro de bombeiros atroa a rua... E tudo desapareceu. Voltou de novo para o limbo. Para o sítio das neves. Para o grande depósito dos relatos por fazer...
1 de setembro de 2003
VAI E VEM
Hoje, aqui por Lisboa, estava de novo quase tudo normal. Isto é, as pessoas tinham voltado a ocupar os seus lugares nos engarrafamentos, os cigarros agitavam-se em stress por detrás dos vidros fechados e as obras espalhadas por toda a cidade mostravam a sua real dimensão caótica. Milhares de pessoas voltaram para a Vida Normal.
Hoje, aqui por Lisboa, estava de novo quase tudo normal. Isto é, as pessoas tinham voltado a ocupar os seus lugares nos engarrafamentos, os cigarros agitavam-se em stress por detrás dos vidros fechados e as obras espalhadas por toda a cidade mostravam a sua real dimensão caótica. Milhares de pessoas voltaram para a Vida Normal.
31 de agosto de 2003
B.B.
Baptista-Bastos publicou ontem, no DN, um magnífico testemunho. Colocou nas palavras justas o que é o sentimento generalizado de uma geração que deu tudo pela utopia. A geração que imaginou para Portugal um Maio de 68 que, começando antes, foi sendo sucessivamente adiado. E sobre o que resta desse sonho, neste Portugal pós-moderno.
"Quando há dias, no programa Livro Aberto de F.J.Viegas (NTV-Porto), repeti o que dissera, anteriormente, numa entrevista à revista Ler: "o meu mundo acabou", acrescentei que não havia amargura alguma nesta verificação de facto, mas um dado constitutivo da relação do tempo com a sociedade(...) O Muro, afinal era o pretexto da Esquerda e da Direita para acentuar as suas específicas circunstâncias (...) A partir de 1976 percebemos, os que perceberam, que o poder estava, de novo, nas mãos da classe média, cuja natureza medíocre atropelava as virtudes republicanas e tripudiava as esperanças colectivas. As reversões começaram a partir daí. (...)
Temos vivido de sobras? Em muitos casos, sim. Até do que sobrou dos sonhos. Todavia, a saudade desses tempos apenas significa que há uma história que transportamos e um orgulho que se não desmorona. De que saudades falarão, dentro de duas ou três décadas, os homens e as mulheres que têm agora 30 e 40 anos?. (...) Uma geração que limitou os seus desígnios a uma espécie de exclusão do outro, e que distinguiu, de um juízo valorativo, a definição puramente descritiva da categoria intelectual, é uma geração que a si mesma se despreza e se não toma a sério"...."
Baptista-Bastos publicou ontem, no DN, um magnífico testemunho. Colocou nas palavras justas o que é o sentimento generalizado de uma geração que deu tudo pela utopia. A geração que imaginou para Portugal um Maio de 68 que, começando antes, foi sendo sucessivamente adiado. E sobre o que resta desse sonho, neste Portugal pós-moderno.
"Quando há dias, no programa Livro Aberto de F.J.Viegas (NTV-Porto), repeti o que dissera, anteriormente, numa entrevista à revista Ler: "o meu mundo acabou", acrescentei que não havia amargura alguma nesta verificação de facto, mas um dado constitutivo da relação do tempo com a sociedade(...) O Muro, afinal era o pretexto da Esquerda e da Direita para acentuar as suas específicas circunstâncias (...) A partir de 1976 percebemos, os que perceberam, que o poder estava, de novo, nas mãos da classe média, cuja natureza medíocre atropelava as virtudes republicanas e tripudiava as esperanças colectivas. As reversões começaram a partir daí. (...)
Temos vivido de sobras? Em muitos casos, sim. Até do que sobrou dos sonhos. Todavia, a saudade desses tempos apenas significa que há uma história que transportamos e um orgulho que se não desmorona. De que saudades falarão, dentro de duas ou três décadas, os homens e as mulheres que têm agora 30 e 40 anos?. (...) Uma geração que limitou os seus desígnios a uma espécie de exclusão do outro, e que distinguiu, de um juízo valorativo, a definição puramente descritiva da categoria intelectual, é uma geração que a si mesma se despreza e se não toma a sério"...."
30 de agosto de 2003
LONGE DAQUI
Ao ler alguns blogues em português escritos a milhares de quilómetros de Lisboa, sinto vontade de não estar aqui, neste momento. O contrário de quando estava longe e vivia sedento da minha língua; daquela fantasia modesta que faz de nós portugueses; saudades dos nossos Jerónimos do tamanho de Legos, mas rendilhados e feitos em memória de viagens que ainda hoje nos assombram. Lembro-me de ter sobrevoado o Índico, há uns anos atrás, enquanto por baixo rebentava uma tempestade violenta. Nessa altura pensei nos homens que 500 anos antes tinham passado por ali, abraçados a barquinhos de brincar, carrapatos sobre o dorso do bicho-oceano.
Esta noite, queria estar a amar o meu país de longe; de onde o pudesse ver por inteiro; de uma plataforma que reduzisse as pequenas maldades à sua condição de coisa-quase-nenhuma.
Se amanhã estivesse de volta, gostaria de partir esta noite para longe daqui.
Não sei se me percebem...
Ao ler alguns blogues em português escritos a milhares de quilómetros de Lisboa, sinto vontade de não estar aqui, neste momento. O contrário de quando estava longe e vivia sedento da minha língua; daquela fantasia modesta que faz de nós portugueses; saudades dos nossos Jerónimos do tamanho de Legos, mas rendilhados e feitos em memória de viagens que ainda hoje nos assombram. Lembro-me de ter sobrevoado o Índico, há uns anos atrás, enquanto por baixo rebentava uma tempestade violenta. Nessa altura pensei nos homens que 500 anos antes tinham passado por ali, abraçados a barquinhos de brincar, carrapatos sobre o dorso do bicho-oceano.
Esta noite, queria estar a amar o meu país de longe; de onde o pudesse ver por inteiro; de uma plataforma que reduzisse as pequenas maldades à sua condição de coisa-quase-nenhuma.
Se amanhã estivesse de volta, gostaria de partir esta noite para longe daqui.
Não sei se me percebem...
AS ZULMIRAS
Nunca se chamam assim. Chamam-se Carlas Vanessas ou Rubens Filipes ou coisa assim... e odeiam. Odeiam os pais que lhes deram um nome que começa pela última letra do alfabeto, ainda que não seja exactamente assim e mesmo que fosse, do fim da fila avistam-se coisas que os primeiros nunca verão. O "Z" morde-lhes no estômago como uma injustiça. Não suportam que ninguém saiba quem "elas" são; que os seus esforços artísticos não sejam mais apreciados que uma cagadela de mosca; que a sua ausência de beleza e de talento as lance irremediavelmente para os últimos lugares de tudo. As "zulmiras" quando são homens, atiram pedras, escondidos atrás de árvores ou de carros estacionados; atrás das coisas que nunca irão a lado nenhum. Quando são mulheres, atiram calúnias, frases cheias de subentendidos; manobram na sombra até que todos odeiem os seus alvos tanto como elas. Nunca dizem alto o nome. Nunca mostram o que sentem, a não ser aos seus "amigos", que são forçados a aturar-lhes as vulvas secas e as mãos com calos em sítios precisos, em longos telefonemas, a horas impróprias. As "zulmiras" não produzem: destroem. Matam a beleza com o seu medo do escuro. As "zulmiras" são seres patéticos que vão morrer como todos nós.
A única diferença é que morrerão sozinhas.
Nunca se chamam assim. Chamam-se Carlas Vanessas ou Rubens Filipes ou coisa assim... e odeiam. Odeiam os pais que lhes deram um nome que começa pela última letra do alfabeto, ainda que não seja exactamente assim e mesmo que fosse, do fim da fila avistam-se coisas que os primeiros nunca verão. O "Z" morde-lhes no estômago como uma injustiça. Não suportam que ninguém saiba quem "elas" são; que os seus esforços artísticos não sejam mais apreciados que uma cagadela de mosca; que a sua ausência de beleza e de talento as lance irremediavelmente para os últimos lugares de tudo. As "zulmiras" quando são homens, atiram pedras, escondidos atrás de árvores ou de carros estacionados; atrás das coisas que nunca irão a lado nenhum. Quando são mulheres, atiram calúnias, frases cheias de subentendidos; manobram na sombra até que todos odeiem os seus alvos tanto como elas. Nunca dizem alto o nome. Nunca mostram o que sentem, a não ser aos seus "amigos", que são forçados a aturar-lhes as vulvas secas e as mãos com calos em sítios precisos, em longos telefonemas, a horas impróprias. As "zulmiras" não produzem: destroem. Matam a beleza com o seu medo do escuro. As "zulmiras" são seres patéticos que vão morrer como todos nós.
A única diferença é que morrerão sozinhas.
AINDA OS ESTÁDIOS...
Ao assistir aos campeonatos mundiais de atletismo, nomeadamente à entrada dos atletas no Stade de France, lembrei-me, subitamente que ainda não vi nenhuma pista de tartã nos estádios construídos com a desculpa do Europeu. Como uma boa parte foi financiada com o erário público, e estando certo que os governos acautelaram com esse investimento o desenvolvimento de outras modalidades nestes espaços, estou curioso para ver o resultado. Não tarda nada veremos os nossos atletas a competir nas belas pistas que, estou certo, rodearão os estádios... Ou pelo menos alguns deles... Não?!...
Ao assistir aos campeonatos mundiais de atletismo, nomeadamente à entrada dos atletas no Stade de France, lembrei-me, subitamente que ainda não vi nenhuma pista de tartã nos estádios construídos com a desculpa do Europeu. Como uma boa parte foi financiada com o erário público, e estando certo que os governos acautelaram com esse investimento o desenvolvimento de outras modalidades nestes espaços, estou curioso para ver o resultado. Não tarda nada veremos os nossos atletas a competir nas belas pistas que, estou certo, rodearão os estádios... Ou pelo menos alguns deles... Não?!...
O DRAMA DA CEGUINHA, AGORA NO MASCULINO E EM BLOGUE!
Não sei se foi contágio da Sofia Alves ou da sua cadela amestrada, da bengala, ou da malinha debaixo do braço, mas não vejo os comentários. Diz-me a caixa de correio que muita gente comentou os posts. Gostava de ver. Mas, de momento, está difícil... As respostas seguem dentro de momentos.
Não sei se foi contágio da Sofia Alves ou da sua cadela amestrada, da bengala, ou da malinha debaixo do braço, mas não vejo os comentários. Diz-me a caixa de correio que muita gente comentou os posts. Gostava de ver. Mas, de momento, está difícil... As respostas seguem dentro de momentos.
29 de agosto de 2003
SOLTAR O GRITO AMORDAÇADO DA BUCETA!
Por baixo deste título, estava uma brincadeira inconsequente, sobre a... enérgica (e nada tendenciosa) crítica de M.Teresa Horta. Referia-se expressamente ao tom e ao critério de selecção das obras que a escritora e jornalista (em todo o seu direito) selecciona para os seus trabalhos de crítica literária. Não havia uma palavra referente à obra. Não conheço (tirando alguns poemas) EM CONCRETO, o seu trabalho literário. Acredito que seja excelente. Da mesma maneira que acredito que é útil que, de vez em quando, algumas mulheres venham lembrar que ainda há coisas a acertar no plano da igualdade.
Uma criatura que de vez em quando por aqui rasteja procurou deturpar com os seus comentários, o meu post. Se não fosse anónima e transpirasse veneno , eu teria todo o gosto em lhe responder por email . Como não sei o endereço da toca em que se acoita, fica aqui a resposta.
Por baixo deste título, estava uma brincadeira inconsequente, sobre a... enérgica (e nada tendenciosa) crítica de M.Teresa Horta. Referia-se expressamente ao tom e ao critério de selecção das obras que a escritora e jornalista (em todo o seu direito) selecciona para os seus trabalhos de crítica literária. Não havia uma palavra referente à obra. Não conheço (tirando alguns poemas) EM CONCRETO, o seu trabalho literário. Acredito que seja excelente. Da mesma maneira que acredito que é útil que, de vez em quando, algumas mulheres venham lembrar que ainda há coisas a acertar no plano da igualdade.
Uma criatura que de vez em quando por aqui rasteja procurou deturpar com os seus comentários, o meu post. Se não fosse anónima e transpirasse veneno , eu teria todo o gosto em lhe responder por email . Como não sei o endereço da toca em que se acoita, fica aqui a resposta.
BLOGGING AROUND
No achoeu escreve-se com uma enganosa simplicidade sobre a praia e sobre o fim do Verão. Com aquela forma tranquila que os aspirantes a escritor desprezam frequentemente e que contém tudo o que deveria conter. Parabéns.
Em oteuumbigo, a coisa fia mais fino:) Quem disse que o pastiche era fácil que vá lá ver. A neo-literatura e os colunistas enraizados que se cuidem...
No achoeu escreve-se com uma enganosa simplicidade sobre a praia e sobre o fim do Verão. Com aquela forma tranquila que os aspirantes a escritor desprezam frequentemente e que contém tudo o que deveria conter. Parabéns.
Em oteuumbigo, a coisa fia mais fino:) Quem disse que o pastiche era fácil que vá lá ver. A neo-literatura e os colunistas enraizados que se cuidem...
E POR FALAR EM LABORATÓRIOS....
Enquanto estava de férias, passei por uma televisão, onde me pareceu ver o chefe da Ordem dos Médicos, o mesmo que tinha vindo lançar perdigotos irados, há uns meses atrás, quando se levantou a suspeita (permitam-me que me ria durante alguns momentos... É que a palavra "suspeita" tem ocasiões em que é ridiculamente hipócrita...) de que muitos médicos teriam ligações... por assim dizer "viajadas" com os laboratórios. Foi confusão minha, por certo, mas pareceu-me ver o senhor de orelha murcha a comentar a notícia que teriam sido levantados 500 processos? Ná... devo estar enganado...
Enquanto estava de férias, passei por uma televisão, onde me pareceu ver o chefe da Ordem dos Médicos, o mesmo que tinha vindo lançar perdigotos irados, há uns meses atrás, quando se levantou a suspeita (permitam-me que me ria durante alguns momentos... É que a palavra "suspeita" tem ocasiões em que é ridiculamente hipócrita...) de que muitos médicos teriam ligações... por assim dizer "viajadas" com os laboratórios. Foi confusão minha, por certo, mas pareceu-me ver o senhor de orelha murcha a comentar a notícia que teriam sido levantados 500 processos? Ná... devo estar enganado...
NÃO GASTASSEM TANTO EM ARGOLAS PRÓ PESCOÇO!
A Organização Mundial de Saúde conseguiu travar o processo de venda de genéricos aos países pobres.
O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, declarou que "Precisariam de mais tempo". Fica assim suspenso o acordo a que tinham chegado anteontem EUA e Brasil, Índia, África do Sul e Quénia e que necessitava da ratificação do conselho geral. A razão apontada foi da ordem da "má interpretação" que alguns países estavam a fazer do referido acordo. Lembre-se, a título de curiosidade, que este processo é o culminar de um braço-de-ferro promovido pela indústria farmacêutica norte-americana (certamente, entre outras).
Compreende-se que os laboratórios usem de todos os seus meios para deterem esta fuga de receitas. Afinal, quem não tem dinheiro não tem vícios. E a morte por doença é um dos mais perigosos da Terra.
A Organização Mundial de Saúde conseguiu travar o processo de venda de genéricos aos países pobres.
O porta-voz da OMC, Keith Rockwell, declarou que "Precisariam de mais tempo". Fica assim suspenso o acordo a que tinham chegado anteontem EUA e Brasil, Índia, África do Sul e Quénia e que necessitava da ratificação do conselho geral. A razão apontada foi da ordem da "má interpretação" que alguns países estavam a fazer do referido acordo. Lembre-se, a título de curiosidade, que este processo é o culminar de um braço-de-ferro promovido pela indústria farmacêutica norte-americana (certamente, entre outras).
Compreende-se que os laboratórios usem de todos os seus meios para deterem esta fuga de receitas. Afinal, quem não tem dinheiro não tem vícios. E a morte por doença é um dos mais perigosos da Terra.
28 de agosto de 2003
WELCOME TO WORDLAND
Percebi, subitamente. Estava numa biblioteca. A blogosfera portuguesa transformou-se numa gigantesca biblioteca. Começa a ter-se aquela sensação de vertigem perante tantos títulos desconhecidos; perante a possibilidade de ler tantas opiniões, vindas de pessoas tão diversas.
Acabou-se o feudo, vem aí a democracia, com as suas alegrias e perversidades. Os hiper-selectivos serão capazes de torcer o nariz e fugir sem ouvir o que se está a dizer. Mas alguém curioso e que goste de ouvir (como eu) está nas suas Sete Quintas. Bem-vinda a pluralidade de visões!
Percebi, subitamente. Estava numa biblioteca. A blogosfera portuguesa transformou-se numa gigantesca biblioteca. Começa a ter-se aquela sensação de vertigem perante tantos títulos desconhecidos; perante a possibilidade de ler tantas opiniões, vindas de pessoas tão diversas.
Acabou-se o feudo, vem aí a democracia, com as suas alegrias e perversidades. Os hiper-selectivos serão capazes de torcer o nariz e fugir sem ouvir o que se está a dizer. Mas alguém curioso e que goste de ouvir (como eu) está nas suas Sete Quintas. Bem-vinda a pluralidade de visões!
BAROSCÓPIO
Abro o dicionário à toa e descubro a palavra "Baroscópio": Instrumento semelhante a uma balança, que serve para demonstrar que os gases exercem impulsão sobre os corpos que neles estão mergulhados".
Quando éramos putos, interrompíamos muitas vezes as brincadeiras e fugíamos dos espaços fechados a rir por causa da demonstração dessa teoria. Mas era uma coisa muito empírica...
Abro o dicionário à toa e descubro a palavra "Baroscópio": Instrumento semelhante a uma balança, que serve para demonstrar que os gases exercem impulsão sobre os corpos que neles estão mergulhados".
Quando éramos putos, interrompíamos muitas vezes as brincadeiras e fugíamos dos espaços fechados a rir por causa da demonstração dessa teoria. Mas era uma coisa muito empírica...
ACORDAR ASSARAPANTADO
Depois de ter trabalhado até o sol nascer cinzento e húmido, enviado o fruto via email e dormido algumas horas, um homem pensa que tem direito a um pequeno-almoço mais que tardio, descansado. Talvez até, deitando o olho ao televisor. O que uma pessoa não sabe é que todos os dias de semana, o Malato, a Merche e outra que nem me lembro o nome, estão à nossa espera como um pesadelo alourado, na televisão pública. Depois de 3 minutos de insânia tive que ir buscar o Flaubert para me certificar que é possível sobreviver.
"Pendant que les Barbares, incertains, délibéraient, Le Suffète augmentait ses défenses: il fit creuser en deçà des palissades un second fossé, élever une seconde muraille, construire aux angles des tours de bois; et ses esclaves allaient jusqu'au milieu des avant-postes enfoncer les chausse-trappes dans la terre..." (in SALAMMBÔ)
Depois de ter trabalhado até o sol nascer cinzento e húmido, enviado o fruto via email e dormido algumas horas, um homem pensa que tem direito a um pequeno-almoço mais que tardio, descansado. Talvez até, deitando o olho ao televisor. O que uma pessoa não sabe é que todos os dias de semana, o Malato, a Merche e outra que nem me lembro o nome, estão à nossa espera como um pesadelo alourado, na televisão pública. Depois de 3 minutos de insânia tive que ir buscar o Flaubert para me certificar que é possível sobreviver.
"Pendant que les Barbares, incertains, délibéraient, Le Suffète augmentait ses défenses: il fit creuser en deçà des palissades un second fossé, élever une seconde muraille, construire aux angles des tours de bois; et ses esclaves allaient jusqu'au milieu des avant-postes enfoncer les chausse-trappes dans la terre..." (in SALAMMBÔ)
27 de agosto de 2003
ALGARVE EM FIM DE VERÃO
No meio de tanta desgraça, vale a pena mudar de ares e dar um salto ao Jaquinzinhos e ver a magnífica fotografia que o seu tutor tirou na Praia do Barril. Só não me meto no carro, em direcção à Ria Formosa, porque já é de noite :)
No meio de tanta desgraça, vale a pena mudar de ares e dar um salto ao Jaquinzinhos e ver a magnífica fotografia que o seu tutor tirou na Praia do Barril. Só não me meto no carro, em direcção à Ria Formosa, porque já é de noite :)
E POR FALAR EM QUEM NÃO FAZ NENHUM...
Alguém sabe para que servem as/os "contínuas/os" das escolas, actualmente designados com a eufemística e por certo errónea expressão "auxiliares de acção educativa"? Os testemunhos que me chegam são unânimes: são inúmeros e não servem para nada. Há escolas básicas e secundárias a debater-se com dificuldades orçamentais graves, mas que se dão ao luxo de manter 40, 50 e por vezes mais funcionários que não limpam, não vigiam e não ajudam em nada o corpo docente. Não é de hoje a imagem da empregada a fazer renda sentada, enquanto o professor dá aulas numa sala suja. Por incrível que pareça existem escolas, muitas, em que são contratadas EMPRESAS DE LIMPEZA, porque as/os "auxiliares" julgam não fazer parte das suas atribuições o asseio das edifícios.
Eu vivi num país, em que cada escola secundária tinha no máximo, 4 ou 5 funcionários de manutenção e limpeza, por vezes, apenas UM. Os alunos eram responsabilizados pelos seus desvarios de aporcalhamento, é certo, mas de resto, aquele pequeno número de funcionários mantinha tudo limpo, desinfectado e a funcionar. Não me digam que 10 ou 20 pessoas formadas e responsabilizadas não dariam conta de uma escola portuguesa?!!
Não haverá ninguém que corra estas criaturas que julgam ter apenas direitos e nenhuns deveres à vassourada?
Alguém sabe para que servem as/os "contínuas/os" das escolas, actualmente designados com a eufemística e por certo errónea expressão "auxiliares de acção educativa"? Os testemunhos que me chegam são unânimes: são inúmeros e não servem para nada. Há escolas básicas e secundárias a debater-se com dificuldades orçamentais graves, mas que se dão ao luxo de manter 40, 50 e por vezes mais funcionários que não limpam, não vigiam e não ajudam em nada o corpo docente. Não é de hoje a imagem da empregada a fazer renda sentada, enquanto o professor dá aulas numa sala suja. Por incrível que pareça existem escolas, muitas, em que são contratadas EMPRESAS DE LIMPEZA, porque as/os "auxiliares" julgam não fazer parte das suas atribuições o asseio das edifícios.
Eu vivi num país, em que cada escola secundária tinha no máximo, 4 ou 5 funcionários de manutenção e limpeza, por vezes, apenas UM. Os alunos eram responsabilizados pelos seus desvarios de aporcalhamento, é certo, mas de resto, aquele pequeno número de funcionários mantinha tudo limpo, desinfectado e a funcionar. Não me digam que 10 ou 20 pessoas formadas e responsabilizadas não dariam conta de uma escola portuguesa?!!
Não haverá ninguém que corra estas criaturas que julgam ter apenas direitos e nenhuns deveres à vassourada?
Álvaro de Campos e Carlos D. de Andrade visitam o Silêncio, com o majestoso volume da sua eternidade anunciada.
"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti..."
A.C.
"Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente!
Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém...
Sem ti correrá tudo sem ti..."
A.C.
FAIRY TOOTH
A Teresa Guilherme afirma que o país anda numa excitação com o início de mais um Bigbreda. Aparentemente, ninguém está interessado em saber quem são os concorrentes, mas sim em a ouvir dizer novamente "Isso, agora, não interessa nada!".
O que só vem dar razão à ideia inicial de José E. Moniz de fazer o programa só com porcos e coelhos, para aumentar o nojo da coisa e as cenas de sexo. Desde que a Teresa dissesse para o écran de plasma: "Ora então Bunny-Bumba, diga lá o que é que queria mesmo dizer com aquele estremecer de narinas diante do retrato da Fernanda Serrano?", as audiências manter-se-iam.
A Teresa Guilherme afirma que o país anda numa excitação com o início de mais um Bigbreda. Aparentemente, ninguém está interessado em saber quem são os concorrentes, mas sim em a ouvir dizer novamente "Isso, agora, não interessa nada!".
O que só vem dar razão à ideia inicial de José E. Moniz de fazer o programa só com porcos e coelhos, para aumentar o nojo da coisa e as cenas de sexo. Desde que a Teresa dissesse para o écran de plasma: "Ora então Bunny-Bumba, diga lá o que é que queria mesmo dizer com aquele estremecer de narinas diante do retrato da Fernanda Serrano?", as audiências manter-se-iam.
SEJAMOS INDULGENTES
Eu sei que não se pode olhar as acções do passado com os olhos dos nossos dias, mas mesmo assim é sempre um fascínio espreitar a maneira como a Igreja Católica se foi mantendo.
A Taxa Camarae era um tarifário promulgado pelo papa Leão X (1517-1521), destinado a vender indulgências (perdão de culpas). Basicamente não havia nada que não pudesse ser perdoado... desde que a bolsa o permitisse. São 35 artigos que cobrem tudo o que uma mente eclesiástica podia pensar como pecado. E, desde já, aviso que não saía barato pecar, nesses tempos (agora, com as indeminizações, a coisa também anda pela hora da morte, mas enfim...). Cito apenas alguns desses artigos, a título de exemplo:
"1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas (...) será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2.Se o eclesiástico, além do pecado da fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deve pagar 219 libras e 15 soldos. Mas se tive apenas cometido pecado contra a natureza com criança ou com animais e não com mulheres, pagará unicamente 131 libras e 15 soldos.
(...)9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos 3 3 dinheiros.
10. Se o assasino tiver morto um ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apena assassinado um.(...)
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpretação do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.(...)
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro. terá de pagar 168 libras e 15 soldos..."
Estas e outras curiosidades históricas encontram-se profusamente ilustradas no livro de Pepe Rodriguez "Mentiras fundamentales de la iglesia catolica" (há uma edição portuguesa pela Terramar).
Eu sei que não se pode olhar as acções do passado com os olhos dos nossos dias, mas mesmo assim é sempre um fascínio espreitar a maneira como a Igreja Católica se foi mantendo.
A Taxa Camarae era um tarifário promulgado pelo papa Leão X (1517-1521), destinado a vender indulgências (perdão de culpas). Basicamente não havia nada que não pudesse ser perdoado... desde que a bolsa o permitisse. São 35 artigos que cobrem tudo o que uma mente eclesiástica podia pensar como pecado. E, desde já, aviso que não saía barato pecar, nesses tempos (agora, com as indeminizações, a coisa também anda pela hora da morte, mas enfim...). Cito apenas alguns desses artigos, a título de exemplo:
"1. O eclesiástico que cometa o pecado da carne, seja com freiras, seja com primas, sobrinhas ou afilhadas suas (...) será absolvido mediante o pagamento de 67 libras e 12 soldos.
2.Se o eclesiástico, além do pecado da fornicação, quiser ser absolvido do pecado contra a natureza ou bestialidade, deve pagar 219 libras e 15 soldos. Mas se tive apenas cometido pecado contra a natureza com criança ou com animais e não com mulheres, pagará unicamente 131 libras e 15 soldos.
(...)9. A absolvição de um simples assassínio cometido na pessoa de um leigo é fixada em 15 libras, 4 soldos 3 3 dinheiros.
10. Se o assasino tiver morto um ou mais homens no mesmo dia, pagará como se tivesse apena assassinado um.(...)
13. A mulher que destruir o filho que traz nas entranhas, assim como o pai que tiver contribuído para a perpretação do crime, pagarão cada um 17 libras e 15 soldos. Quem facilitar o aborto de uma criatura que não seja seu filho pagará menos 1 libra.(...)
18. Quem quiser comprar antecipadamente a absolvição por todo e qualquer homicídio acidental que venha a cometer no futuro. terá de pagar 168 libras e 15 soldos..."
Estas e outras curiosidades históricas encontram-se profusamente ilustradas no livro de Pepe Rodriguez "Mentiras fundamentales de la iglesia catolica" (há uma edição portuguesa pela Terramar).
26 de agosto de 2003
CASA PIA 2
O atraso do Ministério Público em requerer que as testemunhas fossem inquiridas através de vídeoconferência foi lamentável, embora em parte compreensível, já que os prazos dos requerimentos variam em função do tipo de casos, da gravidade e de todas as coisas que gerações de juristas se foram lembrando de inventar ao longo dos anos.
Não tenho experiência nestas matérias, nem formação jurídica ou psicológica, para avaliar das consequências da implementação da ordem do juiz para um frente-a-frente. Não sabemos a idade das testemunhas, embora possamos presumir o grau de dureza que já lhes deve ir naquele coração, por esta altura. Mas, ainda assim, colocar na proximidade física arguidos e testemunhas adolescentes (caso o sejam), num tipo de acusação em que sentimentos de toda a espécie sobrevirão, não me parece ser uma ideia extraordinária. Tanto mais que os advogados de defesa não estão a ser pagos para "tratar psicologicamente" das testemunhas. Ou antes, estão, no sentido mais violento do termo.
O atraso do Ministério Público em requerer que as testemunhas fossem inquiridas através de vídeoconferência foi lamentável, embora em parte compreensível, já que os prazos dos requerimentos variam em função do tipo de casos, da gravidade e de todas as coisas que gerações de juristas se foram lembrando de inventar ao longo dos anos.
Não tenho experiência nestas matérias, nem formação jurídica ou psicológica, para avaliar das consequências da implementação da ordem do juiz para um frente-a-frente. Não sabemos a idade das testemunhas, embora possamos presumir o grau de dureza que já lhes deve ir naquele coração, por esta altura. Mas, ainda assim, colocar na proximidade física arguidos e testemunhas adolescentes (caso o sejam), num tipo de acusação em que sentimentos de toda a espécie sobrevirão, não me parece ser uma ideia extraordinária. Tanto mais que os advogados de defesa não estão a ser pagos para "tratar psicologicamente" das testemunhas. Ou antes, estão, no sentido mais violento do termo.
25 de agosto de 2003
S.TORPES
A meio de uma viagem ainda tive tempo para dar um mergulho nas águas mornas e traiçoeiramente mansas (bastam alguns metros de afastamento para a corrente se fazer sentir). Ao olhar para as chaminés da Central Eléctrica, com o seu despudor industrial, percebi que estava a ver o futuro daquela costa, com o incremento do Porto de Sines e a tão almejada reconversão em zona industrial.
A meio de uma viagem ainda tive tempo para dar um mergulho nas águas mornas e traiçoeiramente mansas (bastam alguns metros de afastamento para a corrente se fazer sentir). Ao olhar para as chaminés da Central Eléctrica, com o seu despudor industrial, percebi que estava a ver o futuro daquela costa, com o incremento do Porto de Sines e a tão almejada reconversão em zona industrial.
FAMILY TIES
Numa coisa os conservadores têm razão: quando tudo desaparece, fica a família.
Os amigos são uma maravilhosa utopia que aguenta o mais que pode. Mas quando o mundo começa a desabar e os destroços a cairem sobre os seus- até aí- fraternais corpos... correm para o seu próprio sangue. Deixam-nos desabar com pena.
Numa coisa os conservadores têm razão: quando tudo desaparece, fica a família.
Os amigos são uma maravilhosa utopia que aguenta o mais que pode. Mas quando o mundo começa a desabar e os destroços a cairem sobre os seus- até aí- fraternais corpos... correm para o seu próprio sangue. Deixam-nos desabar com pena.
ZEZÉ
De acordo com o Dic. da Academia de Ciências, "Camarinha" significa: "Pequeno fruto drupáceo, de forma esférico, branco ou rosado, produzido pela camarinheira" ("voltar finalmente para casa sobraçando um cesto de flores e camarinhas brancas, empurrar a porta e reencontrar Afonso", in Silêncio de Teolinda Gersão).
O que diabo passará pela cabeça das inglesas em férias no Algarve...?
De acordo com o Dic. da Academia de Ciências, "Camarinha" significa: "Pequeno fruto drupáceo, de forma esférico, branco ou rosado, produzido pela camarinheira" ("voltar finalmente para casa sobraçando um cesto de flores e camarinhas brancas, empurrar a porta e reencontrar Afonso", in Silêncio de Teolinda Gersão).
O que diabo passará pela cabeça das inglesas em férias no Algarve...?
ZERO EM COMPORTAMENTO
Contra ventos e marés, a associação Zero Em Comportamento continua a teimar em seleccionar e exibir o que de melhor o cinema mundial vai produzindo. Frequentemente contra uma câmara municipal, dominada por tias cujo filme da sua vida ainda é o raio da "África Minha"!
Perdoai-lhes Senhor que eles não sabem o que fazem....
Contra ventos e marés, a associação Zero Em Comportamento continua a teimar em seleccionar e exibir o que de melhor o cinema mundial vai produzindo. Frequentemente contra uma câmara municipal, dominada por tias cujo filme da sua vida ainda é o raio da "África Minha"!
Perdoai-lhes Senhor que eles não sabem o que fazem....
NO TOXIDO
Há uma maneira de distinguir os nossos aeroportos de outros, onde só é permitido fumar em zonas reservadas: os portugueses são aqueles que têm gente a acender cigarros debaixos dos avisos de NÃO FUMAR... Frequentemente, os próprios seguranças. É como meter putas a guardar a porta das igrejas.
Há uma maneira de distinguir os nossos aeroportos de outros, onde só é permitido fumar em zonas reservadas: os portugueses são aqueles que têm gente a acender cigarros debaixos dos avisos de NÃO FUMAR... Frequentemente, os próprios seguranças. É como meter putas a guardar a porta das igrejas.
CAÇA
Julgo que é de 200.000, o número de caçadores em Portugal. Gente que se mete honestamente à estrada, com uma ou duas armas às costas, sacos com garrafas de vinho ou cerveja e cães que talvez regressem ao canil se provarem ser bons farejadores.
A semana passada protestaram contra as reservas impostas pelo governo à caça em zonas ardidas. Aparentemente, quem decide não percebe a dificuldade de calcorrear quilómetros para estourar os miolos a meia-dúzia de animais. E logo agora que seria tão fácil apanhar os sobreviventes, amontoados nas zonas que sobraram e matar a gosto, lembram-se de vir dificultar a vida.
É preciso não ter compreensão...
Julgo que é de 200.000, o número de caçadores em Portugal. Gente que se mete honestamente à estrada, com uma ou duas armas às costas, sacos com garrafas de vinho ou cerveja e cães que talvez regressem ao canil se provarem ser bons farejadores.
A semana passada protestaram contra as reservas impostas pelo governo à caça em zonas ardidas. Aparentemente, quem decide não percebe a dificuldade de calcorrear quilómetros para estourar os miolos a meia-dúzia de animais. E logo agora que seria tão fácil apanhar os sobreviventes, amontoados nas zonas que sobraram e matar a gosto, lembram-se de vir dificultar a vida.
É preciso não ter compreensão...
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